Goldman Sachs aposta no bitcoin

73179530_FILES This file photo taken on November 20 2017 shows gold plated souvenir Bitcoin coins ar.jpgNOVA YORK — Ao contrário das principais instituições financeiras dos Estados Unidos, o Goldman Sachs se lançará à corretagem de produtos relacionados ao bitcoin, garantindo, assim, legitimidade a essa obscura criptomoeda que gera divisão no mundo das finanças. A empresa americana, símbolo de Wall Street, realizará nas “próximas semanas” as primeiras transações internas relacionadas à moeda virtual, segundo fontes da AFP próximas ao caso.

Há duas semanas, o banco contratou Justin Schmidt, 38, ex-operador do fundo de hedge Seven Eight Capital, de Nova York, que no ano passado começou a negociar sozinho com moedas virtuais. Schmidt foi catapultado como líder nos mercados de ativos digitais e é “a primeira e única pessoa” contratada pelo Goldman Sachs para se concentrar “exclusivamente” em criptomoedas, disseram as fontes sob condição de anonimato.

Com base na divisão de corretagem, tradicionalmente uma força do Goldman Sachs, Schmidt trabalhará com uma equipe para garantir que a instituição esteja pronta a médio prazo para a troca de bitcoins físicos, caso isso seja aprovado pelos reguladores. Enquanto isso, o banco usará seu dinheiro para fazer pedidos de compra e venda, em nome de seus clientes, em instrumentos financeiros que permitam especulações sobre a evolução do bitcoin (futuros). Ele também oferecerá sua própria versão de “futuros”, chamada “non deliverable forward”, que permitirá transações bilaterais ou acordos mútuos entre clientes, dizem as fontes.

“Em resposta ao interesse dos clientes em diferentes produtos digitais, estamos explorando a melhor maneira de atendê-los nessa área”, disse à AFP Tiffany Galvin, porta-voz da instituição financeira, sem dar detalhes.

“Este é o sinal de que o bitcoin é um ativo importante, um ativo que não pode ser ignorado”, conclui Timothy Enneking do fundo Crypto Asset Management.

INCERTEZAS

Apesar do interesse dos fundos de investimento no bitcoin, no momento, os grandes bancos americanos continuaram prudentes. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, chegou a chamar o bitcoin de “fraude” antes de mudar de ideia, mas o Goldman Sachs sempre se absteve de fazer julgamentos. A instituição já atua como intermediária entre os investidores no mercado de futuros de bitcoin oferecido desde dezembro pelo Chicago Board Options Exchange (Cboe) e pelo Chicago Mercantile Exchange (CME). Nessa função, ele se compromete a pagar aos investidores em dólares pelo dinheiro que lhes é devido e, portanto, se expõe a riscos importantes se seus clientes não puderem pagar.

O Bitcoin, que depende de um sistema de pagamento “peer-to-peer” baseado na tecnologia “blockchain”, foi lançado em 2009 e é comercializado principalmente na internet sem ser regulamentado. Esta falta de controle tornou um recurso popular para criminosos e pessoas que querem lavar dinheiro sujo.

“Quanto mais moedas criptografadas Wall Street negocia, mais pessoas podem comprá-las, o que é bom”, disse Lou Kerner, sócio do fundo CryptoOracle, que investe em moedas virtuais.

O Goldman Sachs espera eventualmente fazer pedidos de compra e venda de bitcoins físicos, como faz com outros ativos financeiros e, para isso, está negociando com os reguladores, disse uma fonte próxima ao assunto à AFP.

A instituição lançou uma investigação aprofundada e auditoria dos riscos em torno da moeda virtual e as possíveis conseqüências para a sua reputação, disse a fonte.

Ainda há muitas incertezas: a principal é a alta volatilidade do preço do bitcoin. Na sexta-feira, ela foi cotada a pouco mais de US$ 9.600 por unidade, metade do valor alcançado em meados de janeiro.

Os órgãos reguladores dos EUA ainda não estabeleceram uma posição clara sobre as criptomoedas, enquanto os hackers conseguiram se infiltrar em plataformas de troca, como Coindesk, e roubar bitcoins.

A aposta do Goldman Sachs vem num momento em que a corretora de ativos convencionais passa por um período difícil, obrigando a empresa a buscar alternativas de crescimento.


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