Filme francês ‘A prece’ conta a história de jovem viciado em heroína que se interna em comunidade religiosa


Protagonista de “A prece”, um jovem
de 22 anos decide se internar em uma comunidade religiosa de ex-dependentes
químicos para acabar com o vício da heroína. Aos pés dos Alpes franceses, Thomas
(Anthony Bajon) enfrentará uma dura rotina de preces e trabalho para se livrar
do vício. Em uma jornada cheia de obstáculos, ele se verá diante de um dilema:
se entregar ao sacerdócio ou ceder a uma paixão. No início do ano, Bajon, um
ator iniciante que foi escolhido para o papel por meio de testes, levou o prêmio
de melhor interpretação masculina no Festival de Berlim.“A prece”, que está em cartaz nos
cinemas brasileiros desde ontem, tem origem em uma pesquisa da jornalista e
escritora francesa Aude Walker sobre experiências religiosas no tratamento de
toxicômanos. O diretor do filme, Cédrik Khan, que também é ator, conta que, a
princípio, tentou escrever ele mesmo uma primeira versão do roteiro a partir dos
dados levantados por Aude. Mas empacou na dificuldade de entrar, sem ser
moralista, nos temas que queria abordar e ligar a partir da história do
personagem: as drogas e a religião.— Não sou toxicômano nem religioso — explica Khan, por telefone, de Paris. —
Por isso, não consegui encontrar um caminho satisfatório para falar dessas duas
coisas. Quando Fanny Burdino e Samuel Doux, uma dupla de roteiristas, entrou na
projeto, voltamos a fazer entrevistas com pessoas que passaram por essa
experiência. E tudo começou a fazer mais sentido.O que intrigava Khan era como a fé
preenchia o vazio produzido pela ação das drogas na via dos usuários. E também
como uma pessoa tomada por uma pulsão de morte de repente caminha para um
movimento totalmente contrário, de pulsão da vida:— Não era só falar de um não religioso que se rende à fé — fala ele. — Era
tentar mostrar a experiência dessas pessoas de forma mais ampla e complexa, com
todas as dificuldades pelas quais elas passam. Queria que os espectadores,
religiosos ou não, usuários de drogas ou não, fossem tocados por histórias
extremamente humanas, como as de Thomas. Bajon, diz Khan, foi fundamental na
composição do protagonista de “A prece”. Nos testes com o ator, que começou
carreira no teatro e, até então, só fizera alguns papeis secundários em curtas e
longas, o cineasta disse ter se lembrado do jovem Gerard Depardieu de “1900”
(1976):— Ele tem uma presença forte e uma
intensidade, mas também uma candura e uma sensibilidade. Não parece adulto, mas
também é difícil classificá-lo como adolescente. E não dá para definir sua
origem muito facilmente. Era exatamente o que eu precisava naquele momento, e
Anthony respondeu à altura — disse o diretor. Outra presença marcante no filme é a
da veterana Hanna Schygulla, atriz que foi musa, entre outros, de Rainer Werner
Fassbinder. Aos 74 anos, a alemã que tem no currículo clássicos como “As
lágrimas amargas de Petra von Kant” (1972) e “Lili Marlene” (1981) faz o
sugestivo papel de uma freira. A irmã Miriam funciona como uma espécie de
mentora de Thomas em sua busca pela fé:— Desde o início, a ideia era
trabalhar com rostos desconhecidos, como fiz no início da minha carreira como
diretor — explica Khan. — Hanna foi a exceção à regra, e por uma boa razão. Com
essa aura mítica, ela conseguia transmitir ao mesmo tempo uma autoridade que a
personagem pedia e uma doçura de que Thomas necessitava. Mesmo com pouco tempo,
ela cumpriu o papel de forma excelente.
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