Festival de Cannes: Thriller de Lee Chang-dong é alegoria sobre a falta de perspectivas da juventude coreana

CANNES, França — Thriller de baixo impacto protagonizado por um jovem triângulo amoroso, “Burning”, de Lee Chang-dong, fez sua estreia no tapete vermelho da competição do 71º Festival de Cannes na noite desta quarta-feira (16).

Sexto longa-metragem do diretor coreano, ganhador do prêmio de melhor roteiro da edição de 2010 da maratona francesa com “Poesia”, o filme é uma livre adaptação do conto “Barn burning”, de Haruki Murakami, autor japonês cujos textos já inspirara outras produções asiáticas recentes, como “Como na canção dos Beatles: Norwegian wood” (2010), de Tran Anh Hung (Veja a programação completa de do Festival de Cannes 2018).

A história de “Burning” é centrada na figura de Jongsu, filho de um fazendeiro da fronteira com a Coreia do Norte que cuida sozinho da propriedade enquanto espera o julgamento do pai, preso por agressão. O rapaz faz bico como entregador e, em uma das viagens à cidade, reencontra Haemi (Jong-se Jeon), uma amiga de infância que há muito havia deixado a vila natal para trás. Os seguidos encontros que se seguem sugere uma atração entre os dois — ou assim imagina Jongsu. Mas, ao voltar de uma viagem a África, ela chega acompanhada de Ben (Steven Yeun), um sujeito de posses e gostos refinados.

Inicia-se então um discreto relacionamento a três em que nenhuma das partes revela suas verdadeiras intenções ao outro. A ponta mais fraca é o solitário e introspectivo Jongsu, que se sente intimidado pelo espírito livre de Haemi e pela riqueza do misterioso Ben. “A Corei está cheia de ‘Gatsbys’ como Ben, jovens que exibem suas posses mas ninguém sabe como ganham a vida”, diz Jongsu, aludindo ao personagem-título de “O grande Gatsby”, clássico da literatura americana escrito por F. Scott Fitzgerald. O filme mereceu aplausos contidos da plateia de jornalistas, que assistiu ao filme em sessão paralela à oficial.

Chang-dong diz que “Burning” é uma alegoria sobre a sociedade coreana contemporânea, na qual a juventude padece por causa de falta de perspectivas:

— Os jovens adultos da Coreia têm sofrido terrivelmente nos dias de hoje, particularmente por causa do desemprego. Eles perderam as esperanças de verem a situação melhorar. Por não saberem a quem direcionar sua raiva, eles se sentem completamente enfraquecidos — afirma o diretor.

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“Burning”, de Lee Chang-dong

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