Federação Espírita condena atendimentos individuais denunciados por mulheres que acusam João de Deus


RIO – A Federação Espírita Brasileira (FEB) divulgou na noite deste sábado uma nota condenando atendimentos individuais, como os denunciados por 13 mulheres que acusam o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, de assédio sexual. De acordo com a nota, “o Espiritismo orienta que o serviço espiritual não deve ocorrer isoladamente, apenas com a presença do médium e da pessoa assistida”. Ainda de acordo com a nota, a doutrina espírita “não recomenda, portanto, a atividade de médiuns que atuem em trabalho individual, por conta própria. Estes não estão vinculados ao Movimento Espírita, nem seguindo sua orientação”.As 13 mulheres que denunciaram João de Deus ao GLOBO e ao programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, afirmam que eram levadas a uma sala ou um banheiro, onde ficavam a sós com o médium na Casa Dom Inácio de Loyola, espécie de “hospital” onde ele faz atendimentos. As sete mulheres que relataram seus casos ao jornal estão analisando individualmente se irão apresentar denúncias ao Ministério Público ou se vão aguardar a própria Promotoria tomar o primeiro passo. A autarquia tem essa prerrogativa, a partir das denúncias noticiadas neste sábado. Pelo menos três das sete mulheres ouvidas pelo jornal estão se aconselhando com advogados para determinar como devem proceder.A nota, que não cita o nome de médium diretamente, ainda afirma que “a doutrina Espírita atua com o trabalho de caridade material e espiritual desinteressada, sem nenhum propósito a não ser o de auxiliar os necessitados”.Em 2012, uma reportagem da “Folha de São Paulo” mostrou que João de Deus é dono de pelo menos uma fazenda de 597 alqueires na divisa de Goiás com Mato Grosso, avaliada em R$ 2 milhões. Segundo a reportagem, o médium tem o garimpo como fonte de renda.Nascido no vilarejo de Cachoeira da Fumaça (GO), João diz ter despertado para sua mediunidade aos 9 anos. É o mais novo de seis filhos, de pai alfaiate e mãe dona de casa. Frequentou a escola apenas até o equivalente ao segundo ano do ensino fundamental, e diz não saber ler nem escrever. Trabalhou como alfaiate, minerador e ceramista. Vive em Anápolis, a 40 quilômetros de Abadiânia.
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