Favorita de Merkel é eleita para dirigir partido da chanceler


HAMBURGO — A conservadora Annegret Kramp-Karrenbauer foi escolhida em convenção da União Democrata Cristã (CDU) para suceder a chanceler alemã, Angela Merkel, na liderança do partido. A ex-primeira-ministra do estado do Sarre, de 56 anos, escolha de Merkel para o cargo, venceu o empresário Friedrich Merz na disputa. Como a chanceler anunciou que não postulará a recondução ao cargo de chefe de governo, nas eleições de 2021, Kramp-Karrenbauer tem grandes chances de comandar a Alemanha a partir de então.Conhecida como AKK, Annegret Kramp-Karrenbauer foi quem mais recebeu votos no primeiro turno da eleição, com 450 apoios. Friedrich Merz veio logo em seguida, com 392, e garantiu a necessidade de uma decisão em segundo turno. Os dois passaram a disputar os 157 votos dados ao jovem azarão e ultraconservador Jens Spahn, de 38 anos, que é ministro da Saúde de Merkel. Para ser eleito, o líder do partido precisa ser apoiado por mais da metade dos delegados da CDU.Na segunda rodada de votação, Kramp-Karrenbauer obteve 517 votos de 999 delegados que participaram do pleito. O rival somou 482 votos.Annegret foi nomeada secretária-geral da CDU no início do ano,
aparecendo como a favorita nas pesquisas. Popular em Berlim, ela tem um estilo
despretensioso e a reputação de ser uma analista calma e uma política astuta. Sua grande força também é sua maior desvantagem. Ela é leal a Merkel e é
vista como alguém que irá reproduzir em grande escala o estilo e as políticas da
chanceler federal. Nos últimos anos, defendeu abertamente a política migratória
de Merkel, que permitiu que mais de um milhão de refugiados entrassem na
Alemanha, e foi alvo de fortes críticas da oposição. Seu principal adversário, Friedrich Merz, era uma figura poderosa na CDU na década passada, mas deixou a política após se desentender com a chanceler. Desde então, o advogado e empresário milionário de 63 anos — que mantém fortes laços com os EUA — construiu uma carreira no setor privado e passou a trabalhar apara a companhia americana Blackrock. Embora seja um duro crítico de, Donald Trump, o empresário defende relações mais próximas com Washington e Paris, além de um fortalecimento de entidades como a Otan e a União Europeia. Merz despertava o interesse da ala mais conservadora do partido.Já Jens Spahn, visto como um nome jovem e cheio de energia, mas com poucas chances de vencer despontava na disputa como jovem ambicioso. O ex-banqueiro já foi descrito por Schäuble como “uma das grandes esperanças
para o futuro do partido”. No entanto, seu estilo também lhe rendeu alguns
desafetos na legenda. Gay, católico e conservador ferrenho, Spahn é visto por
muitos na CDU como uma figura divisiva. Durante a crise migratória, criticou
abertamente a política de Merkel, afirmando que “a CDU talvez tenha exagerado na
abordagem humanitária da questão”.Mais cedo, no discurso de despedida do cargo de líder da CDU, Angela Merkel expressou gratidão pela oportunidade de liderar o partido por 18 anos, 13 deles como chanceler, durante os quais dominou a política europeia e se consolidou como a principal gestora de crises da região.— Foi um grande prazer para mim, foi uma honra — disse ela, antes de ser ovacionada por quase dez minutos e lutando para segurar as lágrimas.No discurso, Merkel descreveu os desafios que a Alemanha tem pela frente da mudança rápida da tecnologia às mudanças climáticas e à tendência global de abandonar o multilateralismo para defender os interesses nacionais.— Em tempos como estes, vamos defender nossas visões progressistas, nosso modo de vida, tanto em casa como no exterior — ressaltou a chanceler. — A CDU em 2018 não deve olhar para trás, mas olhar para frente, com novas pessoas… mas com os mesmos valores.Após quase duas décadas à frente da sigla, Merkel entrega nesta sexta-feira a liderança do partido conservador, na votação que pode ser decisiva para o rumo da Alemanha no mundo. A chanceler, no entanto, diz que pretende cumprir o mandato, até 2021. Isso dependerá em grande parte, porém, de seu sucessor à frente da CDU.Diante da pressão do partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha (AfD) e do Partido Verde (centro), a centro-direita alemã enfrenta um cenário de declínio eleitoral e precisa de um novo impulso. Ao lado do aliado bávaro CSU (União Social-Cristã), a CDU tem de 26% a 28% das intenções de voto, de acordo com as pesquisas. Nas legislativas de setembro de 2017, a coalizão recebeu 33% dos sufrágios.Os social-democratas, que integram a grande coalizão de governo da Alemanha, enfrentam uma grave crise eleitoral. As perspectivas eleitorais do AfD — a terceira força política no Parlamento alemão após expressivo resultado em setembro do ano passado — ganharam força com o medo da imigração estimulada pela política de Merkel, que aceitou abrir as fronteiras do país e receber mais de um milhão de sírios e iraquianos entre 2015 e 2016.Para os aspirantes à liderança da CDU, o principal objetivo é recuperar os antigos eleitores, que agora preferem a extrema-direita. Kramp-Karrenbauer aposta na proposta de repatriar os refugiados condenados por algum crime, inclusive os sírios. Merz questionou o direito de asilo na forma como está definido na Constituição alemã.
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