Falta de educação formal para meninas custa ao mundo até US$ 30 trilhões

NOVA YORK — Limitar oportunidades ou impor barreiras para que as meninas completem 12 anos de educação podem custar ao mundo até US$ 30 trilhões em produtividade e ganhos perdidos ao longo da vida, diz um novo relatório do Banco Mundial lançado esta semana, quando é comemorado o “Dia de Malala”, homenagem à ativista educacional paquistanesa Malala Yousafzai, laureada com o Prêmio Nobel da Paz.Nos países de renda baixa, menos de 65% das crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos terminam o ensino fundamental, e apenas um terço conclui o ensino médio, afirma o levantamento. LEIA MAIS: Desigualdade de gênero custa US$ 160 trilhões, diz Banco MundialEstereótipos de gênero influenciam educação de meninas, diz pesquisaUniversidade de Oxford aceita mais mulheres que homens pela primeira vez em mil anosAs mulheres que concluíram o ensino médio têm maior probabilidade de trabalhar e ganham, em média, quase o dobro das que não têm escolaridade.Segundo o Banco Mundial, se todas as meninas do mundo concluíssem 12 anos de educação de qualidade, os ganhos para as mulheres poderiam aumentar de US$ 15 trilhões para US$ 30 trilhões.”No geral, a mensagem é clara: educar as meninas não é apenas a coisa certa a se fazer”, ressalta o documento. “Também faz sentido econômico e estratégico para os países cumprirem seu potencial de desenvolvimento”.Outros impactos positivos da conclusão do ensino médio para meninas incluem a redução no casamento infantil, menores taxas de fertilidade em países com alto crescimento populacional e redução da mortalidade infantil e desnutrição.”Não podemos deixar a desigualdade de gênero atrapalhar o progresso global”, disse Kristalina Georgieva, executiva-chefe do Banco Mundial, em um comunicado.Para o economista-chefe da instituição e principal autor do relatório, Quentin Wodon, os benefícios de educar as meninas são consideravelmente mais altos no ensino médio em comparação com o ensino primário.— Obviamente precisamos garantir que todas as meninas concluam a escola primária, mas isso não é suficiente — disse Wodon, em entrevista à Reuters.As mulheres que concluíram o ensino médio correm menor risco de sofrer violência nas mãos de seus parceiros e têm filhos com menor risco de serem desnutridos e com maior probabilidade de frequentar a escola.Em comunicado, Malala Yousafzai, laureada com o Nobel em 2014, assinalou que, “quando 130 milhões de meninas não podem se tornar engenheiras ou jornalistas ou CEOs porque a educação está fora de seu alcance, nosso mundo perde trilhões de dólares. Este relatório é mais uma prova de que não podemos nos dar ao luxo de atrasar o investimento em meninas”, disse Yousafzai, O documento foi publicado na mesma semana do “Dia da Malala”, uma homenagem feita à ONU no aniversário da jovem que completa 21 anos esta quinta-feira.
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