Exército abre inquérito para investigar militares por tortura em quartel no Rio


RIO – O Exército abriu um Inquérito Policial Militar (IPM), nesta segunda-feira, para investigar uma sessão de tortura dentro de um quartel na Zona Oeste do Rio. O caso foi revelado pelo jornal “Extra” na sexta-feira passada. De acordo com nota enviada pelo Comando Militar do Leste (CML), a investigação tem “objetivo de apurar fatos supervenientes divulgados em matérias jornalísticas referentes à prática, por militares, de supostos excessos e abusos contra perturbadores da ordem pública presos em operação no Complexo da Penha”, na Zona Norte. O prazo para conclusão da investigação é de 40 dias.

A abertura da investigação foi determinada por três juízes diferentes após ouvirem os relatos dos presos. Quatro deles afirmaram, em depoimentos prestados em três ocasiões diferentes, que foram espancados com pedaços de madeira e levaram chicotadas com fios elétricos dentro de uma “sala vermelha” na 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar, no dia 20 de agosto. Ao todo, o “Extra” coletou relatos de 11 presos que relatam terem sido torturados na ocasião.links tortura 30/10

Os depoimentos foram prestados nas audiências de custódia na Justiça Comum e na Justiça Militar, em 23 de agosto, e durante uma visita de três defensores públicos ao presídio onde estão detidos, em 27 de setembro. Um dos presos, um adolescente, fez a denúncia quando foi apresentado na Vara da Infância e da Juventude, um dia após ser apreendido.

Os presos contam que foram levados do Complexo da Penha para a Vila Militar no início da manhã do dia 20. Alguns afirmam que, ainda no no jipe do Exército, levaram choques com armas taser e jatos de spray de pimenta no rosto. Os quatro presos que afirmam ter sido espancados dentro do quartel dão a mesma versão: dizem ter sido chamados para uma “sala vermelha” — cuja porta tinha essa cor — onde encontraram quatro homens sem farda e com capuzes cobrindo o rosto.info – tortura militar 1

Um dos presos afirma que, na sala, “foi feito um interrogatório violento”, em que os militares perguntavam sobre traficantes do Complexo da Penha. “Ao responder que não sabia, apanhava com madeiradas na nuca e chicotadas com fio elétrico nas costas”, relatou o preso. Outro detido, de 23 anos, afirmou ter sido “ameaçado de ser sufocado com um saco plástico” durante a sessão de tortura e disse que “chegaram a colocar um preservativo num cabo de vassoura para assustá-lo”.

As lesões foram atestadas por uma médica durante a audiência de custódia. Segundo exames de integridade física feitos na audiência, três dias após as prisões, “há vestígios de lesão à integridade corporal ou à saúde da pessoa examinada com possíveis nexos causal e temporal ao evento alegado” — as agressões relatadas.info – tortura militar 2

Após ouvir os relatos, a juíza Amanda Azevedo Ribeiro Alves, da Central de Audiências de Custódia, determinou a apuração do caso pelo Comando Militar do Leste (CML): “A conduta dos militares é totalmente reprovável e absurda, devendo ser investigados e punidos, caso haja comprovação do abuso de poder”, escreveu a magistrada. O juiz Marco Antônio Azevedo Junior, da Vara da Infância e da Juventude, também mandou que o CML apurasse a denúncia. No caso da Justiça Militar, foram pedidos esclarecimentos ao CML.


Leia a notícia completa em O Globo Exército abre inquérito para investigar militares por tortura em quartel no Rio

O que você pensa sobre isso?