Ex-presidente da Gaviões da Fiel vai a júri acusado de matar palmeirense em 2005

Corintiano Rodrigo Fonseca, o Diguinho, nega ter atirado em Diogo Borges, o Munhoz, da Mancha Alviverde, no Metrô de SP. Julgamento foi remarcado para esta quarta (26) após dois adiamentos. Ex-presidente da Gaviões da Fiel acusado de matar palmeirense vai a júri em SP
A Justiça de São Paulo remarcou para a tarde desta quarta-feira (26) o julgamento de um ex-presidente da Gaviões da Fiel pela morte de um palmeirense em 16 de outubro de 2005. O corintiano Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, o Diguinho, é acusado de atirar em Diogo Lima Borges, o Munhoz, da Mancha Alviverde, durante briga de torcidas na estação Tatuapé do Metrô, na Zona Leste da capital.
O corintiano, que atualmente tem 33 anos, deveria ter sido julgado pela morte de Diogo em outubro de 2014 e, depois, no último dia 27 de março de 2018, mas esses júris foram adiados por falta de testemunhas e análise de documentos.
O réu, que responde em liberdade, nega o crime e alega inocência, segundo sua defesa. O juiz Luís Filipe Vizotto Gomes conduzirá o julgamento do corintiano, marcado para começar às 13h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital.
De acordo com a Promotoria, corintianos atacaram palmeirenses na estação antes do jogo entre Corinthians e Palmeiras. O conflito se arrastou pelas redondezas. Foram agressões com socos, pontapés, golpes de pau, ferro e pedras. Ao todo, 54 torcedores foram detidos pela Polícia Militar (PM) e liberados em seguida.
Em outro processo, o Ministério Público (MP) acusou mais 13 corintianos da Gaviões de agredirem oito palmeirenses da Mancha no mesmo confronto que matou Diogo. Eles respondiam soltos a essa ação, que prescreveu e foi extinta.
Parecer indica que palmeirense teria atirado
Reprodução/Processo
Crime
Diogo tinha 23 anos. Ele ganhou o apelido de Munhoz por ser parecido com um atacante colombiano com esse nome e que atuava pelo Palmeiras à época. No dia do jogo, foi de Bragança Paulista, no interior paulista, onde morava com a mãe e a irmã, para encontrar-se com o pai no terminal AC Carvalho e, depois, para o estádio.
A estação Tatuapé foi invadida por corintianos, em um ataque previamente combinado pela internet. Ao desembarcar do trem, Diogo foi baleado nas costas. Socorrido, morreu no hospital. A arma utilizada no crime nunca foi encontrada.
Câmeras de segurança gravaram o momento em que um homem vestido de preto atira de cima para baixo (assista ao vídeo acima). Para a acusação o atirador é Diguinho.
Sete jurados votarão se Diguinho é culpado ou inocente e se deve ser condenado ou absolvido pela morte de Diogo. Caberá ao magistrado dar a sentença. Numa eventual condenação por homicídio doloso, crime do qual o ex-dirigente da Gaviões é acusado, a pena pode chegar a 20 anos de prisão.
Parecer mostra Diogo caminhando ferido depois
Reprodução/Processo
Defesa
“Ele não atirou e não matou. Se ler o processo, você não consegue identificar o autor. A vítima tomou um tiro de baixo para cima. Não foi o Rodrigo Lopes Fonseca que vitimou o Munhoz”, rebateu o advogado de Diguinho, Davi Gebara. Segundo ele, seu cliente não estava armado e foi visto usando um celular.
Respondendo em liberdade, Diguinho viajou em julho deste ano para a Rússia, onde acompanhou a Copa do Mundo de futebol. O acusado chegou a postar fotos da viagem nas redes sociais. “Ele tem direito de ir e vir. Nada o impede de sair do país”, explicou Gebara sobre a saída de Diguinho do Brasil.
De acordo com o advogado, apesar de Diguinho não querer dar entrevistas, ele vai comparecer ao próprio julgamento. “Ele vai a júri para demonstrar a inocência dele”, disse Gebara. “Tenho certeza da absolvição dele.”
Diguinho em foto tirada durante Copa do Mundo da Rússia em julho deste ano e postada por ele em suas redes sociais: corintiano responde ao crime em liberdade e pode sair do país para viajar, segundo sua defesa
Reprodução/Redes sociais
Parecer
Um parecer técnico particular da defesa, e que integra o processo, sugere que Diogo possa ter sido baleado por outro palmeirense na plataforma de embarque e desembarque da estação. Câmeras de segurança gravaram o torcedor e a vítima.
Segundo a defesa, laudo oficial da Polícia Técnico-Científica corrobora a tese ao informar que o disparo que matou o membro da Mancha foi dado de baixo para cima. “Em momento algum a Gaviões da Fiel esteve na parte de baixo onde ocorreu o tiro”, completou Gebara.
Diguinho assumiu a presidência da Gaviões em 2015 e ficou no cargo até meados de abril deste ano, quando Rodrigo Gonzales Tapia, o Digão, assumiu o cargo.
Diguinho também é investigado juntamente com outros corintianos de participar dos assassinatos de dois palmeirenses em 2012. Ele nega.
O promotor Rubens Andrade Marconi não quis comentar o julgamento de Diguinho, segundo informou a assessoria de imprensa do MP.
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