Ex-diretor da J&F mentiu em documento enviado à Polícia Federal, diz TRF-1


SÃO PAULO. A operação que envolve o grupo J&F e levou à prisão 12 pessoas nesta sexta-feira pode complicar a situação de Ricardo Saud, braço direito do empresário Joesley Batista. Segundo a desembargadora Mônica Sifuentes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Saud mentiu num documento enviado no dia 20 de setembro passado ao delegado da Polícia Federal Mário Veloso.

No documento, o executivo da J&F teria negado ter tratado com o então ministro da Agricultura Neri Geller de temas como o “listão” de exportadores de carne, o vermífugo Ivermectina e despojos e que falou com ele “não mais que uma vez”. Porém, uma escuta telefônica de 12 de dezembro de 2014 mostra, segundo o TRF-1, que Saud e Geller falaram sobre o vermífugo. Na conversa, Saud teria se mostradopreocupado com a possibilidade de o então ministro da Agricultura revogar a norma que proibiu o uso do produto. E foi tranquilizado por Gelle.

Geller foi ministro da Agricultura do governo de Dilma Rousseff entre março de 2014 a janeiro de 2015. A instrução normativa que proibiu o uso do medicamento foi editada em maio de 2014 e o operador Lúcio Funaro, em delação premiada, disse ter recebido R$ 5 milhões do grupo. Também foram adotadas medidas mais rigorosas para frigoríficos exportadores, reduzindo a concorrência para a JBS, e houve mudança na regulamentação de despojos de bovinos e bubalinos.

O delator Lúcio Funaro, operador de propina, afirmou o empresário Joesley Batista pagou R$ 30 milhões pelo pacote de medidas (listão, Ivermectina e despojos) e que o valor foi negociado pelo ex-deputado Eduardo Cunha, que já cumpre pena decorrente da Operação Lava-Jato.

O valor financiaria as campanhas de deputados estaduais e federais do PMDB que apoiariam a indicação do ex-ministro da Agricultura Antonio Andrade como vice do governador Fernando Pimentel (PT-MG). Andrade é que teria feito a distribuição do dinheiro entre os candidatos.

Geller teria recebido R$ 250 mil das mãos de Florisvaldo Oliveira, conhecido como “o entregador de malas de dinheiro” do grupo J&F no dia 31 de outubro de 2014.

No pedido de prisão encaminhado à Justiça, a Polícia Federal afirma que o empresário Joesley Batista, um gerente administrativo e Oliveira tiraram documentos, mídia e computadores da sala de Saud, que era Relações Institucionais do Grupo J&F depois que o nome da empresa apareceu no depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, na Operação Lava-Jato, em 2015. A sigla “J&F” apareceu na agenda de Costa como comprador de serviços de consultoria.

No documento em que autoriza 12 prisões temporárias dos envolvidos no esquema, a desembargadora afirma que o deputado federal João Magalhães foi escolhido por Saud como operador de R$ 15 milhões repassados pelo grupo à bancada de Minas Gerais para que os parlamentares apoiassem o nome de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados – ele foi eleito em fevereiro de 2015.

Dois advogados que atuam para a J&F afirmaram em nota que esperam que as prisões dos executivos sejam revogadas, já que o empresário é um delator.

André Calegari, afirmou, em nota, que seu cliente já prestou três depoimentos no inquérito que deu origem à operação desta sexta-feira. “Causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração”, diz o comunicato do advogado. “A prisão é temporária e ele vai prestar todos os esclarecimentos necessários”, completa.

Já Pierpaolo Cruz Bottini diz que “a investigação só existe porque os executivos da J&F colaboraram com a Justiça”. “Esperamos que a prisão seja revogada assim que esclarecidos os fatos”, disse, em nota.


Leia a notícia completa em O Globo Ex-diretor da J&F mentiu em documento enviado à Polícia Federal, diz TRF-1

O que você pensa sobre isso?