Ex-assessores de Obama reagem a suposta espionagem de Trump no caso do Irã

76566674_President Donald Trump signals to beckoning reporters that he can%27t hear them over the.jpgWASHINGTON — Após acusações de que o presidente dos EUA, Donald Trump, contratou em 2017 uma agência de espionagem israelense para desacreditar o acordo nuclear iraniano, firmado em 2015 durante o governo Obama, duas figuras-chave tidas como alvos da ação se manifestaram contra o atitude do mandatário. Segundo documentos obtidos pelo jornal britânico “The Observer” (edição dominical do “The Guardian”) a agência investigou a vida pessoal e a carreira política de Ben Rhodes, ex-vice-conselheiro de Segurança Nacional para Comunicações Estratégicas de Obama, e de Colin Kahl, que foi conselheiro de Segurança Nacional do entao vice-presidente Joe Biden. Ambos estiveram à frente das negociações que costuraram o acordo nuclear iraniano.

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Pelo Twitter, Rhodes afirmou que esse a democracia não deve aceitar atitudes assim: “Esse não é um comportamento que deve ser aceito na democracia. É criminoso, mesquinho e traz uma nuvem ameaçadora sobre o serviço público que pode atingir mais que eu e Colin Khal”, disse ele na mensagem.

tuíte rhodes

Colin Kahl, por sua vez, não só desaprovou a atitude do presidente como também lembrou de um episódio suspeito acontecido na época em que Trump teria contratado a agência. Segundo o ex-conselheiro, sua mulher, que participa de uma comissão de arrecadação de fundos na escola da filha do casal, foi contatada por alguém que dizia representar uma empresa britânica interessada em fazer doações para a instituição de ensino.

De acordo com Kahl, as mensagens eviadas por e-mail sugeriam que o “representante” sabia bastante sobre as atividades de sua mulher na escola. Apurando sobre a empresa, que não oferecia muitas informações, e devido às recusas do tal “representante” de se encontrar com outros membros da comissão escolar, a conversa não foi adiante.

“Talvez seja só uma coincidência que essa óbvia ‘roubada’ mirando minha família tenha todas as características de uma espionagem e tenha coincidido com os esforços de Trump de me atacar. Mas só o fato de eu ter que pensar na possibilidade de que minha família tenha sido alvo de pessoas trabalhando para o presidente é outro sinal de grande degradação do nosso país produzida por Trump”, afirmou ele em um tuíte.

Fontes disseram ao jornal britânico que autoridades ligadas à equipe de Trump contataram os investigadores há cerca de um ano, dias depois da visita do republicano a Tel Aviv, em sua primeira viagem internacional como presidente dos EUA. Trump prometeu ao premier israelense, Benjamin Netanyahu que o Irã nunca teria armas nucleares, e afirmou que o acordo dava a Teerã uma sensação de impunidade.

A ideia era desacreditar pessoas que foram cruciais para a elaboração do acordo, o que tornaria mais fácil sair dele — explicou uma fonte entrevistada pelo “Observer”.

Trump tem até sábado, dia 12, para decidir se os EUA deixarão o pacto que limita o programa nuclear iraniano. Ele já afirmou diversas vezes sua oposição ao acordo, que chamou de “o pior negócio de todos os tempos”.


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