Ex-advogado admite que mentiu sobre projeto de Trump Tower em Moscou


WASHINGTON — O ex-advogado do presidente americano Donald Trump Michael D. Cohen, que se declarou culpado em agosto por quebrar leis de financiamento eleitoral, apareceu de surpresa em um tribunal de Manhattan nesta quinta-feira e assumiu a culpa por nova acusação criminal. Desta vez, ele se voltou para a investigação do conselho especial sobre o presidente e o seu núcleo-duro. Na audiência, Cohen admitiu ter mentido para o Congresso sobre os esforços para fechar um acordo imobiliário em Moscou durante a corrida para a Casa Branca, em 2016.O acordo, que previa a construção de uma Trump Tower na capital russa, é um dos focos da apuração do investigador especial Robert Mueller sobre um possível conluio entre a campanha republicana e a Rússia. Em testemunho ao Comitê de Inteligência do Senado, Cohen havia minimizado a extensão do contato com o Kremlin sobre o projeto e as negociações, que no final não tiveram resultado concreto.A nova admissão de culpa de Cohen chega em um momento sensível para Trump. Nos últimos dias, o presidente e seus advogados intensificaram os ataques contra o Departamento de Justiça e o conselho especial. Em troca de se declarar culpado e continuar a cooperar com Mueller, Cohen ter a sentença atenuada. O advogado de 52 anos deve receber a pena pelo primeiro crime admitido em duas semanas. Não houve acordo judicial formal, apenas uma série de conversas com a equipe de Mueller sobre o caso.Nesta semana, o investigador especial acusou o ex-chefe de campanha de Trump Paul Manafort de ter mentido repetidamente ao FBI e violado, assim, o acordo com a Justiça. A defesa do presidente submeteu recentemente as respostas dele aos questionamentos de Mueller, a quem o republicano acusa de operar uma “caça às bruxas”. O jornal “The Guardian” informou que Manafort teve conversas secretas com o fundador do Wikileaks, Julian Assange, na embaixada do Equador, em Londres, durante a campanha. Meses depois, o grupo divulgou documentos lesivos à candidata rival Hillary Clinton, obtidos por hackers russos nos servidores democratas.Declarações anteriores de Cohen já haviam balançado a Casa Branca. Há três meses, o advogado se declarou culpado pela primeira vez, em outra corte de Manhattan, e acusou Trump de ordenar a compra do silêncio de duas mulheres para conter dois possíveis escândalos sexuais durante a campanha presidencial de 2016. O temor era de que o escrutínio público dos casos extraconjugais prejudicasse as chances do republicano na eleição. Não declarado às autoridades eleitorais, os pagamentos à atriz de filmes adultos Stephanie Clifford e à ex-modelo da Playboy Karen McDougal podem configurar doação ilegal de campanha. Indivíduos só podem fornecer a presidenciáveis o máximo de US$ 2,7 mil. Só para Clifford foram gastos US$ 130 mil.”Eu participei dessa conduta, que teve lugar em Manhattan, pelo principal propósito de influenciar a eleição”, destacou Cohen no tribunal, em agosto, ao ressaltar que os pagamentos haviam sido realizados “sob direção do gabinete federal”, em referência a Trump.Na sequência da nova confissão de Cohen, Trump acusou seu ex-advogado de mentir para conseguir redução de pena.”Ele está tentando obter uma sentença muito mais branda inventando essa história”, ressaltou a repórteres na Casa Branca o republicano, que classificou o ex-aliado como “uma pessoa fraca”.Elo com Brexit e WikileaksInvestigadores americanos apontam que um aliado do político britânico Nigel Farage foi incentivado a obter informações secretas do Wikileaks para a equipe de Donald Trump nas eleições de 2016. Segundo o “The Guardian”, o acadêmico Ted Malloch recebeu um requerimento de um conselheiro de longa data do americano para obter cópias de e-mails roubados de oponentes por hackers russos. A alegação integra um esboço de documento legal de Mueller. O americano Malloch, investigado há meses, nega qualquer envolvimento no caso.O jornal explica que Malloch pode ser o elo entre a campanha presidencial de Trump e a campanha do Brexit – a defesa da aprovação em referendo, também em 2016, da saída do Reino Unido da União Europeia. O acadêmico foi interrogado pelo FBI em março, ao chegar aos Estados Unidos. Na terra natal, teve o celular inspecionado. À rede BBC, ele reconheceu que manteve “muito contato” com a equipe de Trump por mais de um ano e meio. No ano passado, ele chegou a ser cotado como embaixador dos EUA para a União Europeia. Ao mesmo tempo, era próximo de influentes vozes pró-Brexit, como Nigel Farage.De acordo com o “The Guardian”, o esboço de documento legal descreve que, em 25 de julho de 2016, Malloch recebeu um e-mail de Roger Stone – um lobista muito próximo de Trump que pedia a alguém para fazer contato com Assange. A mensagem originalmente não era para ele: o autor conservador Jerome Corsi lhe teria repassado. Na ocasião, o Wikileaks havia acabado de divulgar o primeiro material danoso aos democratas.”Vá até Assange na embaixada do Equador em Londres e pegue do Wikileaks os e-mails pendentes”, dizia o e-mail, em referência à promessa do grupo de revelar novas mensagens comprometedoras dos rivais de Trump.Em um segundo e-mail, enviado seis dias depois, Stone teria orientado Corsi de que Malloch “deveria encontrar Assange”. “A palavra é amiga nos planos da embaixada, mais dois lixões… Impacto planejado para ser muito danoso”, teria respondido o autor ao lobista antes de supostamente apagar os registros de seu computador recolhido pelas autoridades. O documento de Mueller não citava nomes, como de praxe na investigação. Referia-se aos atores do caso como “pessoa 1” e “pessoa do exterior”. Corsi alega que Malloch não respondeu seu e-mail nem visitou Assange.”Ted Malloch e eu ficamos em contato. Roger Stone queria que Malloch fosse ver Julian Assange, e eu realmente passei a mensagem adiante. Mas, até onde sei, ele não foi. Eu acho que ele não nunca viu Assange”, disse Corsi, em declarações reproduzidas pelo “Guardian”.O requerimento judicial aponta que o autor mentiu aos investigadores sobre ter se recusado a ajudar Stone. O documento era parte de um acordo proposto a Corsi, que o negou e compartilhou com jornalistas. Mueller investiga se ele tem acordo de repassar informações sobre a apuração à equipe de Trump, assim como Manafort.
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