EUA reabre caso de jovem negro morto em 1955 que impulsionou movimento por direitos civis

WASHINGTON — O Departamento de Justiça dos EUA reabriu nesta quinta-feira a investigação sobre o brutal assassinato de Emmett Till, um menino negro de 14 anos que foi sequestrado e linchado em 1955 no Mississípi. A morte aconteceu dias depois que Carolyn Bryant, uma mulher branca, relatou que jovem a havia agarrado em uma loja enquanto fazia comentários sexuais. O corpo mutilado de Till foi encontrado em um rio três dias depois. À época, um tribunal do Mississípi, formado apenas por juízes brancos, absolveu os dois assassinos, também brancos. O caso foi reaberto após o lançamento de um novo livro sobre a morte, publicado no ano passado por Timothy Tyson, e incluía declarações de Carolyn — à época do assassinato mulher de um dos acusados. Em uma entrevista em 2008, ela afirmou que “não era verdade” a versão dos fatos dada ao juiz, meio século antes. Embora seu depoimento tenha terminado não sendo utilizado, ela disse ter mentido quando alegou que a adolescente a tocou em sua loja em Money, cidade no interior de Mississípi.— Nada que o garoto fez poderia justificar o que aconteceu com ele.Se por um lado, o rosto completamente desfigurado e o corpo mutilado do adolescente expuseram com ferocidade ao resto do país e ao mundo a repressão contra os negros no Sul dos EUA; por outro, foi um incentivo para o nascimento do movimento pelos direitos civis, que acabou com a segregação racial anos depois. Emmett Till morava em um bairro da classe trabalhadora em Chicago e no verão de 1955 viajou para o Mississípi para visitar parentes. Antes da viagem, sua mãe o avisou que ele deveria tomar cuidado no Sul segregado, onde o racismo em espaços públicos era protegido por lei. Em 24 de agosto, o adolescente estava nos arredores de uma loja quando brincou dizendo que tinha uma namorada branca em Chicago. Seus primos e amigos o incentivaram a falar com Carolyn, a balconista. Ao deixar o local, ele fez um elogio e assoviou para a mulher.O primo de Emmett, Wheeler Parker, que estava com ele na loja, confirma o assobio do garoto, mas alega que não fizeram nada para a mulher.— Ele adorava brincadeiras, adorava divertir, adorava piadas.Roy Bryant, marido de Carolyn e dono do lugar, ficou furioso quando descobriu o que havia acontecido. Quatro dias depois, foi com seu irmão, J. W. Milam, até a casa dos parentes do adolescente. Sequestraram Till e o levaram até a beira de um rio, de carro onde o forçaram a se despir. Os dois o espancaram com tanta força que ele perdeu um olho. Depois, atiraram em sua cabeça. Um descaroçador de algodão de 30 quilos foi amarrado ao pescoço de Till com arame farpado e em seguida lançado ao rio local, o TallahatchieOs dois foram presos, mas absolvidos por um júri que demorou apenas uma hora para dar seu veredicto. Com a proteção legal de não poderem mais ser julgados pela mesma causa, a revista “Look” pagou aos dois cerca de US$ 4 mil para que contassem a verdadeira história. Os irmãos confirmaram em detalhes o crime e afirmaram não ter tido escolha diante da situação. Bryant morreu em 1994 e Milam em 1981. Aos 83 anos, a mulher continua viva e mora na Carolina do Norte.
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