Equador gastou milhões em operações de espionagem para blindar Assange, diz jornal

74673045_FILES This file photo taken on February 05 2016 shows WikiLeaks founder Julian Assange.jpgLONDRES —O jornal britânico “The Guardian” revelou na quarta-feira que o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, organizou um sistema de espionagem para proteger e apoiar Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Assange se refugiou em 2012 na embaixada equatoriana em Londres, após o vazamento de documentos do Pentágono (que revelaram duros procedimentos de interrogatório e tortura), para evitar extradição para a Suécia, onde foi acusado de crimes sexuais.

De acordo com documentos obtidos pelo jornal, o governo Correa investiu cinco milhões de dólares nessa ação, da qual participou a Secretaria Nacional de Inteligência (Senain) — suprimida em seguida pelo sucessor Correa, Lenin Moreno — e uma empresa de segurança que vigiava os visitantes de Assange, a equipe local e a polícia britânica. O sistema de espionagem, cuja existência era ignorada pelo então embaixador Juan Falconí Puig, foi batizado primeiro de “Operation Guest” e depois de “Operation Hotel”.

No entanto, em sua conta no Twitter, o WikiLeaks disse que as informações do jornal britânico estão “em consonância com a vontade atual dos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos contra Assange”. A organização criada por Assange se referia às acusações que o governo britânico faz contra ele, incluindo uma susposta intervenção no sistema informático da embaixada. O grupo também anunciou que vai processar o jornal, que afirma que Assange “criou” o seu próprio acesso à internet via satélite e furou o firewall da embaixada, dando-lhe a capacidade de monitorar funcionários e empregados.

Além disso, o jornal afirma que a existência do registro de visitantes da embaixada poderia ajudar a descobrir quem deu a Assange os e-mails da campanha da democrata Hillary Clinton nos Estados Unidos, uma informação que poderia interessar a Robert Mueller, procurador especial que investiga a possível intereferência russa na eleição de Donald Trump em 2016. O jornal britânico também informou que, preocupados com uma possível invasão da embaixada pelas forças do Reino Unido, autoridades equatorianas traçaram um plano de fuga para o hacker australiano.

CARGO DIPLOMÁTICO

A saída abrupta de Assange da embaixada do país sul-americano incluía escondê-lo dentro de um veículo ou escolhê-lo como um representante equatoriano em uma agência da ONU, o que lhe garantiria imunidade diplomática, de acordo com documentos de agosto de 2012.

Além de fornecer asilo a Assange, o governo de Rafael Correa aparentemente estava preparando uma campanha de relações públicas para melhorar a imagem do fundador do WikiLeaks. Um advogado foi consultado para desenvolver uma estratégia de mídia para comemorar o segundo ano do seu asilo diplomático em Londres. O custo desta operação, que se estenderia por um ano de, foi de US$ 180 mil.

A operação chamou a atenção de Carlos Polit, da Controladoria Geral do Equador, que escreveu ao chefe da inteligência equatoriana, Pablo Romero, em março de 2013, para investigar como eles haviam gasto US$ 411,793 em cinco meses sem um único recibo.

Mais da metade dessa quantia, US$ 224 mil, foi gasta com três agentes secretos: um capitão da Marinha equatoriana, um coronel do Exército e um operador de contrainteligência. Mensalmente, recebiam cerca de US$ 10 mil em dinheiro por serviços classificados como “operações de inteligência e contrainteligência”.

O Senain também alocou centenas de milhares de dólares, segundo “The Guardian”, para pagar os serviços de várias empresas que realizam vigilância na internet. Uma delas é a Hacking Team, uma empresa de segurança cibernética sediada na Itália. Por sua parte, o atual presidente do Equador considera “um problema herdado” a presença de Assange e esta investigação poderia dar-lhe novos argumentos para expulsar o hacker da sede diplomática.


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