Entenda as disputas entre Rússia e Ucrânia no Mar de Azov


RIO – No último domingo, forças russas detiveram três navios da Ucrânia e suas tripulações sob a acusação de que teriam invadido suas águas territoriais no Mar de Azov, localizado entre os dois países. Kiev alega que cumpriu as exigências da Rússia, tendo informado com antecedência sobre a passagem das embarcações.Moscou nega. As forças de segurança de Putin afirmam não ter recebido o aviso, detiveram os navios e fecharam o Estreito de Kerch, passagem do Mar Negro para o Mar de Azov.Os russos abriram fogo contra os tripulantes ucranianos, e mais de 20 militares permanecem detidos em Simferopol, capital da Península da Crimeia. As tensões em torno do Mar de Azov, porém, são muito anteriores ao incidente desta semana.Ponto estratégicoO Estreito de Kerch é um ponto estratégico no mar por ser a única ligação entre o território russo e a Crimeia, que foi anexada por Moscou em 2014. Por isso, mesmo antes da anexação, os países já se enfrentavam em torno daquela área. ucrâniaDisputa por ilhaEm 2003, Ucrânia e Rússia disputaram a ilha Tuzla no Mar de Azov. À época, o conflito foi solucionado com um acordo que determinou, o qual, entre outros pontos, a liberdade de navegação para os dois países no mar.Tensões crescentesEmbora o acordo esteja em vigor desde então, as tensões entre os dois países só fizeram crescer — sobretudo a partir de 2014, ano da derrubada do governo pró-Rússia em Kiev, seguida pela ascensão do atual presidente Petro Poroshenko. Desde então, Putin promete retaliações pela revolução que levou à saída de Viktor Yanukovich da Presidência da Ucrânia.Ponte controversaAs disputas no Mar de Azov ganharam novo impulso quando a Rússia construiu uma ponte no Estreito de Kerch, em maio passado, ligando, por terra, a Crimeia e a Rússia continental. Kiev afirma que a obra é ilegal e tem amplo apoio da comunidade internacional.Segundo o país, a altura do vão central da ponte (35 metros) limita a passagem das embarcações que se dirigem ao porto de Mariupol — de lá, a Ucrânia escoa, por exemplo, sua produção metalúrgica.Inspeções russasOutra queixa de Kiev diz respeito às inspeções que os russos fazem nos navios ucranianos que atravessam a região, detendo muitos deles, como ocorreu no no último domingo. O episódio acendeu o alerta para a possibilidade de um conflito mais amplo entre os países, já desafetos desde a anexação da Crimeia e do apoio russo a separatistas no Leste da Ucrânia.Lei marcial na UcrâniaEm resposta à ação russa de deter os navios de Kiev, Poroshenko decretou a lei marcial no país, numa medida para “defender os interesses do povo ucraniano”. Ele, que já manifestara o desejo de aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), pediu que o grupo liderado pelos Estados Unidos enviasse embarcações de guerra à região do Mar de Azov.A resposta veio em seguida, com uma negativa da chanceler alemã, Angela Merkel.— Não pode haver solução militar para esses confrontos — afirmou a chanceler alemã, que prometeu tratar do tema com o presidente russo, Vladimir Putin, na Cúpula do G-20, que começa amanhã na Argentina.No mesmo dia, o presidente Donald Trump cancelou o encontro com Putin, que estava marcado para ocorrer durante a cúpula do G-20. Disse que ele e o chefe do kremlin podem se encontrar “assim que a situação (o conflito no Mar de Aozv) estiver resolvida”.
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