Engenheiro diz que não vistoriou fosso de elevador do prédio que desabou em SP

76494011_São Paulo SP 01-05-2018 - Incêndio - Desabamento de Prédio - Predio pega fogo e desaba no c.jpgSÃO PAULO – O engenheiro Ornelino Lopes, responsável por laudos da Prefeitura de São Paulo que negaram existir risco na estrutura do prédio que desabou na semana passada no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, afirmou que não vistoriou o fosso do elevador por falta de ferramentas. Num período de um ano, foram produzidos três laudos sobre as condições do edifício e todos atestaram que não havia problemas estruturais, com riscos de desabamento.Edificios

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— Para abrir uma porta você tem que ter ferramentas e nós não levamos. Nós não somos bombeiros que levam as ferramentas. Você não tem como arrebentar um tapume ou abrir a porta de um elevador que não funciona, mais sem ferramentas para tal — disse Lopes.

O engenheiro disse ainda que, no momento da vistoria, não havia indícios de lixo dentro do fosso do elevador.

— No momento da nossa vistoria não havia indícios de que havia nada no fosso. Como isso tem um ano e pouco atrás, pode ser que posteriormente tenha acontecido alguma coisa. Não posso afirmar que agora, nesse momento não tinha. Quando na nossa avaliação não tinha indícios de que se pudesse ter alguma coisa lá dentro.

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O engenheiro depôs durante duas horas e meia no Ministério Público de São Paulo. Além dele, outros dois engenheiros assinaram laudos. Em novembro de 2016, o engenheiro Álvaro de Godoy Filho relatou que “referente à estrutura da edificação ou sua estabilidade, não verificamos anomalias que impliquem em risco para o prédio”. Em março de 2017, o relatório traz a mesma informação e destaca que “não havia risco de desabamento”. Oito meses depois, em novembro, o laudo repete a mesma conclusão: ”não verificamos anomalias que impliquem em risco de desabamento”.

Na primeira visita ao prédio, em setembro de 2016, técnicos da prefeitura não puderam entrar no prédio sem agendar previamente com Ananias Pereira, apontado como coordenador da ocupação. Pereira foi ouvido na última sexta-feira e negou ser o responsável pela ocupação.

Em 2016 o proprietário do prédio era a União. Em 17 de outubro de 2017 o governo federal repassou a guarda provisória do imóvel para a Prefeitura de São Paulo. Um ofício enviado em fevereiro passado pelo superintendente do Patrimônio da União, Robson Tuma, cobra do então prefeito João Doria (PSDB), informações sobre a desocupação do prédio e a apresentação do projeto definitivo para o uso do edifício, os custos da reforma e o público que seria atendido.

No documento, ele assinala que a Prefeitura já poderia providenciar a desocupação do imóvel.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que desde outubro de 2017 negociava com os moradores a desocupação do prédio. Segundo o site G1, o ex-prefeito João Doria disse que a atual gestão responderia pelo caso.


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