Enem 2018: Em vídeo, representantes de minorias leem redações que violaram direitos humanos


RIO – Até o ano passado, o candidato que desrespeitasse os Direitos Humanos na prova de redação do Enem recebia zero. Na última edição, após uma determinação do Supremo Tribunal Federal, o critério passou a não mais zerar a prova, mas ele ainda penaliza, com retirada de pontos.

Uma questão de respeito: as violações aos Direitos Humanos nas redações do EnemNos últimos anos, o Manual de Redação do exame passou a detalhar quando ocorre a penalização, apresentando trechos de textos de candidatos que desrespeitaram os Direitos Humanos. O GLOBO convidou representantes de minorias que foram temas da redação para comentarem as violações.Enem

— É uma questão de olhar o outro. Não é para violar os Direitos Humanos nem na prova e nem no resto da vida — afirma Kailane Campos, que aos 11 anos foi vítima de uma pedrada na cabeça por estar com vestimentas brancas do candomblé.

A menina, que está terminando o ensino fundamental, leu frases sobre intolerância religiosa, tema do Enem de 2016. Dois alunos surdos comentaram trechos do tema do ano passado, sobre a inclusão de surdos na educação, e uma venezuelana se posicionou sobre imigração.

Entenda as regras do Enem sobre o assunto:

Na cartilha de redação do Enem, os organizadores detalham o que para eles é violação dos Direitos Humanos.

“Pode-se dizer que determinadas ideias e ações serão sempre avaliadas como contrárias aos Direitos Humanos, tais como: defesa de tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de “justiça com as próprias mãos”, isto é, sem a intervenção de instituições sociais devidamente autorizadas (o governo, as autoridades, as leis, por exemplo); incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, condição física, origem geográfica ou socioeconômica; explicitação de qualquer forma de discurso de ódio (voltado contra grupos sociais específicos)” informa o documento.

Veja exemplos:

Leia trechos de redações que desrespeitaram os Direitos Humanos na última edição do exame, segundo o o Inep, autarquia do MEC responsável pela prova. O tema era “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”

“Este grupo tem que ir para escolas especiais, tirando assim o contato dele com a sociedade”

“Surdos devem ter apenas o ensino básico, devem ser aposentados, não podem ter direito de estudar em uma universidade, não são pessoas normais, não podem trabalhar”

“A melhor decisão a ser tomada é o sacrifício logo após a descoberta da ‘maldição’, evitando o sofrimento de todas as partes e mantendo a sociedade no rumo da evolução”


Leia a notícia completa em O Globo Enem 2018: Em vídeo, representantes de minorias leem redações que violaram direitos humanos

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