Empresa de SC utiliza nanotecnologia e desenvolve redutor de medidas que pode ser usado na roupa


Tecnologia foi desenvolvida para pessoas que não tem tempo ou para agilizar o processo. Produtos são desenvolvidos para aliarem beleza e bem estar
La Vertuan/Divulgação
A falta de tempo é um argumento que muitas pessoas utilizam para não utilizarem cosméticos. Foi pensando neste público que uma empresa de Araquari, no Norte catarinense, desenvolveu uma tecnologia que permite a aplicação diretamente na roupa – e cuja ação ocorre durante o dia, enquanto o tecido entra em contato com o corpo. E esta não é a única inovação da La Vertuan. De acordo com a diretora e fundadora da empresa, Maria de Lourdes Vertuan, o que tem chamado a atenção dos consumidores do país e de outros países são os cosméticos naturais, que dispensam o uso de matérias-primas sintéticas, conservantes, fragrâncias ou corantes.
Maria de Lourdes é farmacêutica e conta que desde criança se preocupava com o bem estar das pessoas. Assim, quando se formou e montou a própria farmácia, em 1989, começou a estudar os produtos que tinha, mas principalmente observar aqueles que não eram oferecidos. “Começamos atender os clientes naquilo que eles não eram atendidos. Alergias, doenças de pele e outros problemas que demandavam soluções, mas que não estavam disponíveis”, conta.
Depois de 10 anos com a farmácia, por um problema de saúde precisou vender o estabelecimento. Ainda assim, as demandas continuavam, então passou a produzir na própria casa, em Joinville, principalmente shampoos e desodorantes, que eram vendidos de porta em porta. “Até que um dia um professor que atendia uma turma de idosos pediu para fazer um creme para aqueles que tinham dores nas articulações. Ele insistiu e aí acabei produzindo. Isso me fez querer desenvolver outros tipos de produtos”, conta a empresária.
Começou então a desenvolver outros tipos de dermocosméticos e, neste momento, não era mais apenas um trabalho artesanal, e precisou legalizar o negócio. Em 1996, o empreendimento passou a se chamar La Vertuan e em 2010 já não havia espaço para produção na casa da empresária – e a fábrica foi transferida para a cidade de Araquari.
A partir de então, a empresária assumiu como desafio apostar na tecnologia para criar inovações. Entre essas criações estão os produtos que utilizam nanotecnologia e podem ser aplicados diretamente nas peças de roupa e que, em contato com a pele, durante o dia, liberam as nanopartículas e agem na pele.
“As pessoas têm cada vez menos tempo ou não gostam de passar os produtos convencionais, então imagine que você pode borrifar diretamente no sutiã ou na parte interna da calça jeans e durante o período em que estiver com aquela peça, as nanopartículas migram da fibra do tecido para a pele”, explica a farmacêutica.
Ainda conforme a empresária, desde que a peça não seja centrifugada, as partículas continuam no tecido por duas ou três lavagens, não sendo necessário reaplicar todas as vezes.
Para a empresária, as empresas precisam estar atentas às tendências e foi assim que, em 2016, duas estratégias impactaram positivamente a empresa. A primeira foi a segmentação, com linhas para profissionais e também para os consumidores finais. Conforme Maria de Lourdes, durante os primeiros anos da empresa, o foco eram clínicas de estética, de cirurgia plástica e outros estabelecimentos para uso profissional. Porém, os próprios clientes desses lugares começaram a procurar os produtos.
“Nós criamos essa demanda, então também temos linhas para o consumidor final”, explica.
A segunda estratégia foi a linha de produtos veganos ou naturais, que atendem um público cada vez mais preocupado com produtos sem materiais sintéticos. E é esse segmento que tem chamado a atenção do mercado.
Produtos naturais
Neste mês de abril, a empresária participou em feira do setor de cosméticos da Itália, em que participaram empresas de 70 países, com visitantes de 150 nacionalidades. Segundo Maria de Lourdes, a surpresa começou quando a empresa convidada para expor em um dos principais pavilhões, onde ficam os produtos que apresentam diferenciais.
“Lá nós lançamos uma linha facial de produtos naturais, desde o demaquilante ao hidratante, e que mesmo pessoas que têm alergia, sensibilidade, que não podem usar qualquer outro tipo de produto ou que estão passando por tratamentos como radioterapia, quimioterapia podem usar”, explica ela, que já no evento fez contatos com clientes de 26 países, sendo que a exportação para 5 países já está em negociação.
Segundo a farmacêutica, os produtos são considerados naturais por não conterem na formulação matérias-primas sintéticas, nem conservantes, fragrâncias, corantes ou óleo mineral, derivado do petróleo.
Maria de Lourdes é farmacêutica e começou a formular produtos sob demanda
La Vertuan/Divulgação
Para garantir que sejam naturais, as matérias-primas utilizadas são rastreadas, ou seja, precisam ter procedência certificada. “Precisamos saber, por exemplo, que a planta para determinado tipo de óleo que serve de matéria-prima foi plantada dentro de todas as exigências e normas do produto natural”, explica ela.
Até este ano, a linha tratamento corporal, com produtos de redução de medidas e celulite, era a mais vendida da empresa. Neste ano, a linha facial de dermocosméticos já está se igualando, conforme a empresária.
E as ideias e pesquisas de Maria de Lourdes não param. Aos 60 anos, além de empresária, continua atuando como farmacêutica, ela mesma trabalhando no desenvolvimento de novos produtos: “É preciso sempre olhar para frente, nunca para trás. Sonho que a La Vertuan seja conhecida como referência em dermocosméticos naturais. E para isso é preciso arregaçar as mangas e trabalhar, com coragem e fé”, finaliza ela.
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