Embaixador alemão diz que Bolsonaro será avaliado pelos atos no governo


BRASÍLIA – O embaixador alemão no Brasil, Georg Witschel, indicou que a Alemanha
acompanhou os discursos polêmicos do presidente eleito Jair Bolsonaro, mas que os germânicos
avaliarão o governo pelos atos que tomar. A fala do diplomata foi uma resposta a
um professor que perguntou qual seria a posição diplomática do país europeu em
relação ao Brasil.

– A Alemanha registrou o resultado em um primeiro momento. As pessoas votaram
e o Bolsonaro foi
eleito. O governo alemão deverá medir ele pelos seus atos. Nós sabemos o que ele
disse, mas vamos medir pelos atos. Queremos um Brasil parceiro – afirmou o
embaixador. Bolsonaro

O representante do governo alemão falou rapidamente após palestra da ministra
Susanne Baer, do Tribunal Constitucional Federal da
Alemanha, com o tema “Como o populismo de direita na Europa desafia os Tribunais
Constitucionais e o constitucionalismo”, organizada em parceria da Embaixada da
Alemanha e o Centro de Pesquisa em Direito Constitucional Comparado da
Universidade de Brasília.

Witschel
deixou o discurso que tinha preparado e falou sobre a importância do dia 9 de
novembro para a Alemanha. Foi em 9 de novembro de 1918 que a primeira república
do país foi declarada. Em 1989, o 9 de novembro ficou marcado pela queda do Muro
de Berlim e exatamente um ano depois a reunificação da Alemanha era consumada,
após 41 anos de separação.

O populismo

Em sua palestra, a ministra Susanne Baer afirmou que o populismo é um risco para o
Estado de Direito e para os direitos fundamentais das pessoas. Para ela, o
populismo ataca o Estado de Direito e finge defender os direitos fundamentais de
todos. Mas na verdade, o populismo fragiliza tais direitos.

– O populismo tem muitas formas. De esquerda, de direita. É preciso ver o
contexto em que ele está inserido – afirmou.

Mas o populismo de esquerda e de direita têm coisas em comum, diz Baer. Ele agem para acabar com o Estado de Direito.
A reforma judiciária feita na Polônia, que entre outras coisas antecipou a
aposentadoria compulsória de juízes, entre eles a da presidente da Suprema Corte
do país, é um exemplo citado pela magistrada alemã.

– Faz cerne do populismo o ataque ao Estado Constitucional. Para nós a linha
vermelha é ultrapassada quando as pessoas são feridas. E essas linhas estão
sendo ultrapassadas – acrescentou Baer.

Segundo a ministra Susanne, os
movimentos populistas se apresentam como defensores dos direitos fundamentais da
maioria das pessoas. Mas age de forma a desmontar a garantia desses direitos
quando eles não são invocados pela maioria.

– Se alguém decide não cumprir uma decisão da justiça porque ela não lhe
agrada, se não acata a decisão por não ser politicamente favorável, isso é
perigoso e ataca o Estado de Direito – argumenta.

O embaixador alemão endossou a defesa da democracia.

– Quando se trata de defender a Constituição, não é uma questão puramente
jurídica. A constituição deve ser amada e defendida. Mais uma vez, faz sentido
defender a democracia. Viver dentro da constituição. Viver a constituição, os
direitos e as liberdades – disse.

*Estagiário sob supervisão de Francisco Leali


Leia a notícia completa em O Globo Embaixador alemão diz que Bolsonaro será avaliado pelos atos no governo

O que você pensa sobre isso?