Em depoimento de três horas, Pezão nega propina e cita nome de Cabral


RIO – No primeiro depoimento que deu após ser preso, o governador Luiz Fernando
Pezão negou que tenha recebido propina e usado dinheiro ilícito para pagar
despesas pessoais. Ele afirmou que movimenta uma conta pessoal, mantida com seus
próprios proventos, e não a que foi apresentada pela Polícia Federal, que está
desativada e zerada.‘Nada a esconder’Pezão também disse à Polícia Federal que não se
envolveu com a arrecadação de dinheiro para a sua campanha a governador em 2014.
Segundo ele, a tarefa teria ficado por conta de Cabral e do ex-secretário de
Obras Hudson Braga. Na delação do doleiro Álvaro Novis, é citada também uma
suposta propina paga como caixa dois pela Odebrecht naquele ano. Em troca, a
companhia teria conquistado contratos importantes no governo.O depoimento, acompanhado pelo advogado do governador, Flávio Mirza, na sede
da PF na Praça Mauá, durou cerca de três horas. Mirza disse que Pezão, se
quisesse, tinha o direito constitucional de permanecer calado. Mas optou por
falar, de acordo com o advogado, por entender que “nada tem a esconder”. links pezão preso 29/11Um dos pontos principais da defesa de Pezão é demonstrar,
com a entrega de extratos, que o governador usava contas pessoais e dinheiro do
seus proventos para pagar suas próprias despesas. — O delegado apresentou uma conta de Pezão que estava
praticamente zerada para sustentar que o governador era mantido por propina.
Porém, tal conta está desativada há tempos. Pezão usa uma outra conta para pagar
as despesas pessoais. Isso é um erro da investigação — garantiu Mirza.Pezão, ainda segundo Mirza, estava tranquilo durante o
depoimento e não se negou a responder qualquer pergunta. Pezão diz que ‘home theater’ foi presenteCarlos Emanuel Carvalho Miranda, ex-operador da propina de Sérgio Cabral,
sustenta que, além de uma mesada de R$ 150 mil, paga pelo ex-governador entre
2007 e 2014, 13º salário e dois bônus, cada um no valor de R$ 1 milhão, Pezão
também teria recebido como regalo um sistema de home theater no valor
de R$ 300 mil, instalado em sua casa de Piraí e bancado pela High Control. A
empresa é dos irmãos Luís Fernando e César Augusto Craveiro de Amorim, que
atuaram no consórcio das obras do Arco Metropolitano do Rio, concluído no
governo Pezão.No depoimento dado à PF, o governador afirmou que o
sistema de home theater foi um presente de aniversário dado por Cabral.
Não caberia, segundo ele, pedir ao então governador do Rio uma nota fiscal do
equipamento.— Pezão confirmou a instalação do sistema, mas garante
que foi presente de Cabral. Não sabia da relação com a empresa. Para ele, Cabral
era um amigo rico — disse o advogado Flávio Mirza.O governador admitiu ser amigo dos empreiteiros Cláudio
Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gomes Gonçalves, sócios da J.R.O Pavimentação,
também presos. De acordo com Miranda, Pezão teria recebido R$ 1 milhão em
propina dos dois.— A J.R.O realmente se instalou no Sul Fluminense, mas
na época em que Pezão era prefeito. E a empresa já tinha contratos com o governo
do estado, na época do governador Marcello Alencar (já morto) — disse
Mirza. Nesta quinta-feira, a defesa de Marcelo Santos Amorim, suspeito de
repassar recursos de origem ilícita ao governador, negou que ele tenha
participação em esquemas de corrupção. Já o advogado de Cesar Amorim, da High
Control, alegou que a empresa recebeu por serviços prestados na casa de
Pezão.
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