'É um atraso achar que o jovem não tem nada a dizer', concluem estudantes e especialistas

71790705_Rio de Janeiro 21-09-2017 Encontro Internacional Educacao 360 Painel Jovem. Foto Andre.jpg

RIO — Estudantes e professores repetiram à exaustão uma mesma frase no Painel Jovem do Educação 360: a voz da juventude precisa ser levada mais a sério nas escolas. O debate promovido pelo Movimento Mapa Educação reuniu o cineasta Cacau Rhoden e Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, num bate-papo sobre a importância do protagonismo dos alunos dentro das instituições de ensino. Apesar do teor crítico à realidade brasileira, o discurso não enveredou para um tom pessimista. Longe disso.

Educação 360 nova

— Muitas pessoas falam que o Brasil não tem jeito, que nunca chegaremos a lugar nenhum ou que é impossível consertar nossas mazelas. Essa opinião é reacionária. Temos que virar essa chave e entender que, sim, somos ricos e poderosos. O protagonismo juvenil está diretamente ligado ao otimismo. Precisamos pensar que é possível — ressaltou Rhoden, diretor do documentário “Nunca me sonharam”, um retrato do sistema escolar nacional a partir de entrevistas com alunos de 20 escolas públicas de 15 cidades de oito diferentes estados do país.

O resultado do trabalho é revelador: classificado como um “espelho da realidade” pelo próprio cineasta, a produção expõe detalhes de uma juventude que jamais teve o direito básico de sonhar — e que, apesar dos pesares, insiste em seguir com certas perspectivas intactas. Disponível na internet, a película foi projetada no evento, uma realização dos jornais O GLOBO e “Extra”, com parceria do Sesc, patrocínio da Fundação Telefônica, do colégio pH e Fundação Itaú Social, apoio da Unesco e Unicef e parceria de mídia da TV Globo, Canal Futura, revista Crescer, revista Galileu e TechTudo.

— O filme é uma experiência alegre, embora tenha nascido de uma dor. Sabemos que ainda precisamos de muita transformação para chegarmos no lugar do sonho — pondera Rhoden.

Um dos produtores do documentário, Henriques engrossou o coro que valoriza os mais novos. Para ele, a solução dos problemas no campo educacional está sobre as carteiras, com mochila nas costas e lápis nas mãos. Desse modo, é um erro não abrir diálogo com os jovens na confecção de políticas públicas.

— É um atraso achar que o jovem não tem nada a dizer. Todas as escolas que conseguem reverter isso com o protagonismo juvenil têm transformações intensas, pois criam um patamar superior de discussão. Toda vez que isso acontece, a escola melhora como um todo.

Estudante do terceiro ano do ensino médio numa escola em Botafogo, na Zona Sul do Rio, Eduarda Helena Costa, de 18 anos, pediu a fala para complementar a palestra e recordar uma história ilustrativa. No lugar em que a carioca estuda, um colega de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, demonstrou, aos professores, interesse em aprender alemão. Sem condições de pagar um cursinho de línguas, o rapaz conseguiu apoio do colégio para consumar seu desejo. Hoje, com um intercâmbio à Alemanha agendado, seu sonho se tornou outro: assim que voltar ao Brasil, ele quer ensinar alemão na escola onde cresceu.

— O protagonismo juvenil forma cidadãos. Além de otimismo, isso tem a ver com empatia — enfatizou Eduarda. — Quando você se coloca no lugar do outro, você entende o problema do outro. Isso nos dá uma força que nem sabemos que temos. Ouço tanto que ainda tenho muito o que viver para falar alguma coisa com propriedade ou que não faço nada e sou uma vagabunda… Não tinha que ser assim! É bom acreditar e empoderar pessoas, independentemente da idade. Com isso, a gente passa a fazer parte de uma semente, todos juntos. Os jovens podem, sim, ter a solução para todos os problemas.

Fonte: O Globo 'É um atraso achar que o jovem não tem nada a dizer', concluem estudantes e especialistas

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