E-mails revelam que Facebook planejou cobrar por dados de usuários


WASHINGTON — Nos primeiros anos após a abertura de capital na Bolsa, o
Facebook e seu cofundador e diretor executivo, Mark Zuckerberg,
foram pressionados a apresentar bons resultados financeiros, além do crescimento
no número de usuários. Nesse contexto, a companhia cogitou oferecer ao mercado
acesso contínuo aos dados dos usuários em troca de pagamento, medida que
representaria uma mudança radical na política de não vender essas informações. O
plano foi discutido em e-mails internos, revelado nesta quarta-feira pelo jornal
“Wall Street Journal”.Os documentos apontam ainda que os funcionários discutiam formas de
pressionar anunciantes a gastarem mais na plataforma em troca de aumento no
acesso aos dados de usuários. Juntos, os e-mails revelam que a companhia
discutiu internamente uma forma de monetização empregada por alguns players da indústria da tecnologia, mas que o
Facebook sempre se posicionou contra.Numa audiência no Congresso americano, em abril, Zuckerberg foi enfático: “Eu não posso ser mais claro
neste tópico: nós não vendemos dados”. LINKS FACEBOOK Os e-mails fazem parte de um processo aberto contra o Facebook por uma
companhia chamada Six4Three, que possuía um aplicativo que procurava
imagens de pessoas com biquíni entre os contatos na rede social. Após ser
pressionado, inclusive com ameaça de prisão, Ted Kramer,
diretor da Six4Three, entregou os documentos ao parlamenta
britânico Damian Collins, no último sábado.— Estamos em um território desconhecido — afirmou Colins, na ocasião, para
justificar o uso de um mecanismo parlamentar para pressionar Kramer. — Este é um movimento sem precedentes, mas a
situação também é sem precedentes. Nós não conseguimos respostas do Facebook e
acreditamos que esses documentos contenham informações de alto interesse
público.A Six4Three processou o Facebook em 2015, alegando que as
políticas de dados da rede social eram anticompetitivas, favorecendo certas
companhias em detrimento de outras. Os documentos internos do Facebook foram
anexados ao processo, sob condição de sigilo. Collins, que preside o comitê de Mídia, Digital e
Cultura do Parlamento britânico e lidera investigação sobre a privacidade na
rede social, pretende tornar essas informações públicas nos próximos dias.O “Wall Street Journal” teve acesso a três das 18 páginas de um
documento, que citam vários e-mails internos, a maioria do período entre 2012 e 2014.
Um porta-voz do Facebook confirmou que as discussões sobre a cobrança pelo
acesso aos dados aconteceu, mas que a companhia decidiu não seguir em frente com
o plano. Konstantinos
Papamiltiadis,
diretor de desenvolvimento de plataformas e programas do Facebook, afirmou que
“os documentos que a Six4Three reuniu para este caso são apenas parte da
história e foram apresentados de forma a dar uma impressão errada, sem o
contexto”.Pressão para gerar receitasNa época dos e-mails, o Facebook tinha acabado de realizar sua oferta pública
inicial (IPO, na sigla em inglês) e tentava encontrar formas de monetizar o
produto que operava sob uma política de compartilhamento de dados estabelecida
anos antes por Zuckerberg. As
regras permitiam que milhares de aplicativos externos tivessem acesso a dados de
usuários pela plataforma de desenvolvedores, o que ajudava a aumentar o
engajamento na rede social por meio de jogos e outras aplicações, mas não gerava
lucros para a companhia.Os documentos mostram que o Facebook planejava ajustar sua estratégia, e
funcionários discutiam formas de gerar mais receitas e dados dos desenvolvedores
externos. Um funcionário não identificado mencionou o desligamento do acesso aos
dados “de uma vez para todos os apps que não
gastam… ao menos US$ 250 mil para manter acesso aos dados”.De acordo com o processo da Six4Three, funcionários do Facebook discutiam o assunto
“rotineiramente”. Num dos e-mails, um funcionário afirma que “remover o acesso à
lista de todos os amigos parece uma forma indireta de levar a adoção do NEKO”.
Um outro e-mail, do dia 21 de agosto de 2013, diz: “Simon conseguiu uma lista de
mais de 40 mil aplicativos que solicitam e fazem uso das permissões de
amigos”.Em 2014, o Facebook anunciou que iria restringir o acesso de desenvolvedores
a algumas informações dos contatos dos usuários, como nome, data de nascimento,
fotos e páginas curtidas. A medida entrou em vigor no ano seguinte e destruiu
milhares de aplicativos, incluindo o desenvolvido pela Six4Three.
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