Dívida bruta cai pela primeira vez em quase 2 anos


BRASÍLIA – Após cinco meses no vermelho, o Brasil conseguiu ficar no azul em outubro. União, estados, municípios e empresas estatais pouparam R$ 7,8 bilhões. O resultado é 64% maior que o obtido pelo país no mesmo período do ano passado. Isso fez com que a dívida do país tivesse a primeira queda em quase dois anos. Passou de 77,2% do PIB para 76,5% do PIB. Corte de gastos e melhora na arrecadação deve fazer com que a meta para este ano seja cumprida com folga. E isso favorece que os juros continuem no patamar mais baixo da História por mais tempo.De acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central, o país acumula um déficit de R$ 51,5 bilhões nos dez primeiros meses do ano. A meta fixada para 2018 é de manter o rombo das contas públicas em R$ 163 bilhões. O objetivo deve ser cumprido facilmente. O próprio governo diz que o déficit ficará pelo menos R$ 20 bilhões menor.- Se as previsões estiverem corretas, a meta será cumprida com alguma folga, o que é muito bom e mostra um passo institucional em relação à consolidação fiscal – falou o chefe do departamento econômico do Banco Central, Fernando Rocha, que completou:- É o clássico ajuste fiscal: temos receitas que têm crescido e o crescimento das despesas tem sido bem mais contido.Por causa do resultado bem melhor que o esperado, economistas ajustam suas previsões. Há quem já enxerga que o Banco Central terá mais espaço para manter a taxa básica (Selic) nos atuais 6,5% ao ano.- Que pese que muito deste resultado nos meses anteriores foi derivado de eventos não recorrentes temos de fato certa melhora fiscal. Neste sentido temos mais um elemento confirmando a tendência de juros estáveis ao longo do ano que vem – afirmou o economista-chefe da Spinelli, André Perfeito.Como o governo conseguiu poupar, a dívida do país caiu pela primeira vez em dois anos. Desde dezembro de 2016, o endividamento só crescia. Atualmente, o Brasil deve R$ 5,2 trilhões. Esse é considerado o maior problema que será enfrentado pela futura equipe econômica.- Abordar a dinâmica insustentável da dívida pública provavelmente será o principal desafio que a administração do presidente eleito Bolsonaro enfrentará – falou Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs.No geral, o quadro fiscal continua muito fraco, apesar do esforço nos últimos dois anos para conter os gastos discricionários e o significativo corte de investimentos públicos. Um ajuste fiscal estrutural profundo, permanente e grande, permanece na linha de frente da agenda política para restaurar o equilíbrio interno e externo. Além de reprimir as despesas, o Brasil tem gasto menos com juros. Desde o início do ano, essa conta foi de R$ 317,2 bilhões. Representa 5,58% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, a fatura com encargos era de 6,26% do PIB.No ano, estados e municípios acumulam um superávit de R$ 10,9 bilhões. O aparente bom resultado disfarça o caos das contas dos governos regionais. Como não possuem mais crédito, vários estados não conseguem aumentar a dívida para continuar a tocar a máquina pública. Alguns atrasam até o pagamento dos servidores por falta de recursos. Como as contas do BC são feitas por meio de variação da dívida, não captam a real situação desses entes.
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