Diretora do Facebook teria encomendado investigação sobre interesses de Soros


NOVA YORK — Sheryl Sandberg pediu à equipe de comunicações do Facebook que investigasse os interesses financeiros de George Soros após seus ataques às empresas de tecnologia, segundo fontes que tinham conhecimento de sua solicitação, indicando que a segunda pessoa no comando do Facebook estava diretamente envolvido na resposta da rede social ao bilionário húngaro-americano.Sheryl, diretora de operações do Facebook, pediu as informações em um e-mail enviado a um executivo sênior em janeiro, que foi encaminhado para outras equipes de comunicação e política da empresa, disseram as fontes. O e-mail foi encaminhado dias depois de um discurso inflamado que Soros fez naquele mês no World Economic Forum, atacando o Facebook e o Google como uma “ameaça” à sociedade e pedindo que as empresas fossem regulamentadas. FACEBOOK 1511A diretora do Facebook, que estava no fórum, mas não se encontrava presente no momento do discurso de Soros, pediu para que a equipe verificasse o motivo pelo qual Soros havia criticado as empresas de tecnologia e se o empresário estava se beneficiando financeiramente com os ataques. Na época, o Facebook estava sob crescente críticas pelo papel que sua plataforma desempenhara na divulgação da propaganda russa e no fomento de campanhas de ódio em Mianmar e em outros países.Posteriormente, o Facebook encomendou uma pesquisa de oposição, ao estilo de campanhas políticas, feito pela comnsultoria Definers Public Affairs, que reuniu e espalhou informações depreciativas sobre críticos e concorrentes da rede social na esteira dos últimos grandes escândalos envolvendo a companhia de Mark Zuckerberg. O anúncio veio após uma reportagem do New York Times em que se abordava o trabalho feito pela Definers em nome do Facebook.Entre outras coisas, os Definers trabalharam para desacreditar os manifestantes ativistas que eram contra o Facebook, em parte ligando-os ao financista liberal George Soros. Ele também tentou desviar as críticas à rede social pressionando os repórteres a investigar rivais como o Google. Esses esforços, revelados pelo NYT, desencadearam um desastre de relações públicas para Sandberg e para o Facebook, que foi acusado de traficar ataques antissemitas contra o bilionário. O Facebook informou que já encerrou sua relação com a Definers.As fontes que tinham conhecimento do e-mail de Sandberg pediram anonimato porque não tinham autorização para discutir a mensagem e temiam retaliação. Em um comunicado, o Facebook disse que a empresa já havia começado a pesquisar Soros quando Sandberg fez seu pedido.“O Sr. Soros é um investidor proeminente e analisamos seus investimentos e atividades comerciais relacionadas ao Facebook”, disse a empresa. “Essa pesquisa já estava em andamento quando Sheryl enviou um e-mail perguntando se o sr. Soros havia diminuído as ações do Facebook”.A empresa disse que, enquanto Sandberg “assume total responsabilidade por qualquer atividade que acontecesse em sua gestão”, ela não direcionou pessoalmente nenhuma pesquisa sobre a ‘Freedom from Facebook’, uma coalizão anti-Facebook cujos membros estavam entre os assuntos tratados no último trabalho da Definers.Eddie Vale, porta-voz da Freedom do Facebook, disse que estava cético em relação às alegações da empresa.—À luz da contínua mudança na história de Sandberg sobre a pesquisa de Soros, não há como negar a agressão a outros críticos — disse Vale. — O Facebook deve liberar imediatamente todos os e-mails e pesquisas sobre como atacar a coalizão Freedom from Facebook ou qualquer outro membro da organização.A revelação vai de encontro às várias explicações dada por Sheryl sobre seu papel nas decisões do Facebook de contratar Defensores e partir para a ofensiva contra a crescente legião de críticos da rede social. Sandberg, a princípio, negou saber que o Facebook havia contratado a Definers, antes de reconhecer, em um post publicado na semana passada, que parte do trabalho da empresa no Facebook havia passado por sua mesa.Envolvimento de SardenbergNesse post, a diretora do Facebook não negou explicitamente que tenha solicitado as pesquisas sobre Soros. Em vez disso, Elliot J.Schrage, um deputado que supervisionou a equipe de comunicações, mas agora está deixando a empresa, assumiu a responsabilidade de contratar a Definers e iniciar a investigação sobre George Soros. Não está claro qual envolvimento, se é que houve algum, de Sandberg nessa resposta final a Soros.— Nós não tínhamos ouvido essas críticas antes e queríamos determinar se ele tinha alguma motivação financeira — disse Schrage sobre Soros. —A Definers pesquisaram isso usando informações públicas.O Facebook defendeu suas investigações sobre Soros como um passo prudente e necessário para qualquer empresa pública sob ataque de uma figura importante, particularmente uma como Soros, um operador de câmbio que fez fortuna na década de 1990 apostando contra a libra britânica.As revelações, no entanto, provavelmente aumentarão a pressão sobre Sandberg, uma estrela do Vale do Silício e escritora feminista. A investigação feita pelo New York Times revelou que Sheryl e Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook, ignoraram as advertências sobre o abuso na plataforma e tentaram esconder da opinião pública que a Rússia usou o Facebook para interromper a campanha presidencial de 2016 e ajudar a eleger o presidente Donald Trump. O NYT também descobriu que, quando o Facebook foi confrontado com revelações de que a privacidade de dezenas de milhões de usuários havia sido comprometida pela Cambridge Analytica, uma empresa de dados ligada a Trump, Sheryl e Zuckerberg tentaram minimizar o problema e desviar a culpa.Mas o fato é que Sheryl é quem supervisiona as políticas e as comunicações do Facebook, que iniciou no ano passado uma campanha de lobby para desacreditar os críticos da empresa e empurrar para trás o crescente coro de vozes pedindo que o Facebook e outras grandes empresas de tecnologia sejam desmembradas ou mais firmemente reguladas.Demissão ou nãoAlgumas pessoas defendem que Sheryl seja demitida. A confissão feita semana passada por Schrage, confidente de Sandberg que anunciou em junho que estava deixando a empresa, foi amplamente vista dentro e fora do Facebook como um esforço para isolá-la de possíveis danos.Facebook contratou a Definers no ano passado para monitorar a cobertura da mídia e, em seguida, expandiu seu papel para incluir uma pesquisa no estilo de campanha política e outros trabalhos de relações públicas.Em uma reunião privada na quinta-feira, a diretora de operações do Facebook novamente tentou se distanciar da Definers e de suas pesquisas sobre Soros, de acordo com Rashad Robinson, chefe do grupo de justiça racial Color of Change, que foi mencionado em um memorando da consultoria sobre Soros. Robinson disse que, enquanto se encontrava com Sandberg, ela negou a contratação da Definers ou que tenha encomendado a pesquisa da empresa.— Ela colocou o assunto na conta do agora demissionário chefe de comunicações, Schrage, e também se esforçou para nos assegurar que Joel Kaplan não tinha nada a ver com isso também—, disse Robinson.Kaplan é vice-presidente de políticas públicas globais do Facebook.Robinson disse estar satisfeito por Sandberg ter concordado em divulgar um relatório com o resultado de uma auditoria interna, previamente anunciada, sobre como as políticas do Facebook afetavam os usuários e funcionários. Mas quando pressionou por mais detalhes sobre o envolvimento do Facebook com a Definers, disse Robinson, Sandberg continuou enfatizando que o Facebook havia demitido a empresa.— Não estávamos satisfeitos com essa resposta— disse Robinson.
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