Dinamarca convoca embaixador no Irã após acusar país de conspiração para atentado


COPENHAGUE — A Dinamarca convocou para consultas seu embaixador em Teerã nesta terça-feira, após acusar o Irã de ter preparado um atentado contra três de seus cidadãos residentes no país. A ação iraniana seria em represália a um atentado ocorrido em setembro.

Em 21 de outubro, um cidadão norueguês de origem iraniana foi preso na Suécia, supostamente relacionado à conspiração, e extraditado para a Dinamarca, conforme informou a polícia sueca. Nesta terça-feira, o norueguês e Teerã negaram as acusações.

dinamarcaO ataque teria como alvo o líder do braço dinamarquês da iniciativa árabe Movimento pela Libertação de Ahvaz (ASMLA), segundo o chefe da Inteligência dinamarquesa, Finn Borch Andersen. A ASMLA luta pelo estabelecimento de um Estado árabe na província de Khuzestan, Sudoeste do Irã. Os árabes são minoria do Irã. Alguns se veem sob ocupação persa e querem independência ou autonomia.

— Estamos lidando com uma agência de inteligência iraniana planejando um ataque em solo dinamarquês — declarou o ministro de Relações Exteriores, Anders Samuelsen, em entrevista coletiva.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Bahram Qasemi, rejeitou as acusações.

— Neste momento crítico, esta é uma continuação das conspirações dos inimigos para prejudicar as relações iranianas com a Europa — disse Qasemi, de acordo com a Tasnim, agência iraniana de notícias.

Os países europeus estão tentando salvar o acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irã e as potências mundiais, após o presidente americano, Donald Trump, ter retirado os Estados Unidos do pacto e anunciar novas sanções a Teerã.

Segundo o chefe da Inteligência dinamarquês, o norueguês preso negou ter ajudado um serviço de inteligência estrangeiro a planejar um assassinato no país.

Samuelsen disse no Twitter que o plano de ataque foi “completamente inaceitável” e que “o governo vai responder ao Irã e está conversando com parceiros europeus sobre novas medidas”.

Operação policial

Em 28 de setembro, a polícia dinamarquesa fechou duas grandes pontes para o tráfego e suspendeu os serviços de balsa da Dinamarca em direção à Suécia e Alemanha durante uma operação policial realizada em todo o país, com intuito de evitar um possível ataque.

Poucos dias antes, o suspeito norueguês havia sido observado fotografando e observando a casa dinamarquesa do líder da ASMLA, disse a polícia.

Em novembro de 2017, Ahmad Mola Nissi, um exilado iraniano que criou o ASMLA, foi morto a tiros na Holanda. Em decorrência disso, o serviço de segurança dinamarquês reforçou a proteção policial do líder da ASMLA na Dinamarca e de dois associados no país.

No último mês, o Irã notificou os enviados de Holanda, Dinamarca e Grã-Bretanha após um ataque a tiros em uma parada militar no Khuzestan, ocorrido em 22 de setembro, no qual 25 pessoas foram mortas. O Irã acusou os três países de abrigar grupos de oposição iranianos.

Outro grupo de oposição árabe, a Resistência Nacional de Ahwaz, e o grupo terrorista Estado Islâmico reivindicaram a responsabilidade pelo ataque, embora nenhum deles tenha evidências conclusivas para respaldar a autoria.

Na semana passada, fontes diplomáticas e de segurança disseram que a França havia expulsado um diplomata iraniano por uma conspiração fracassada para realizar um ataque a bomba em uma manifestação na área de Paris, que seria realizado por um grupo de oposição iraniano exilado.


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