Dez coisas que você talvez não soubesse sobre o G20 portenho


1 – O que é o G20 (e por que, na realidade, é um G34)?O Grupo dos 20, mais conhecido pelo numerônimo G20 é um foro que é composto de 19 nações: Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Grã-Bretanha, Rússia, África do Sul e Turquia. A estes 19 acrescenta-se um representante da União Europeia (neste caso o representante é sempre o país que tem a presidência rotativa do Velho Continente). No entanto, embora não seja um dos membros do G20 a Espanha é convidada permanente, assim como a Holanda. Além deles também têm cadeira cativa o Fundo Monetário Internacional (FMI), as Nações Unidas, o Banco Mundial, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização Mundial do Comércio (OMC), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB). De quebra, outras 7 organizações regionais, o que eleva o número para um total de 34 membros, embora o nome se mantenha G20. A entidade internacional surgiu em 1999 como um foro de discussões financeiras. Mas em 2008, no meio da crise econômica mundial, passou a ter o formato de reuniões de cúpula anual de seus líderes. Os participantes do G20 concentram 85% dos PIB global, 66% da população do planeta, 75% do comércio internacional e 80% dos investimentos globais. 2 – O “Bisavô” e o “avô” do G20O bisavô do G20 foi o G6, que no início dos anos 70 reunia a Alemanha, França, Japão, Itália, Estados Unidos e Grã-Bretanha, as principais economias do mundo na época. Mas, logo depois foi incluído o Canadá, transformando o foro em G7.Posteriormente, em 1997, foi criado o Grupo dos 8, o chamado G8, que passou a incluir a Rússia, então com a economia em expansão após o fim do regime comunista em 1991. Contudo, o país foi suspenso do G8 em 2014 após a invasão e anexação da Criméia. Em 2017 a Rússia anunciou sua saída do grupo, que desta forma voltou a ser G7.3 — A primeira reunião do G-20 na América do Sul A Argentina é a sede do primeiro G20 realizado na América do Sul. Para o governo de Mauricio Macri é uma oportunidade de tentar trazer investimentos dos países ricos para a Argentina. Seu país que, mais uma vez em sua atribulada história, está em meio a uma crise econômica, com uma inflação que neste ano chegaria a 44%, uma das maiores do planeta. 4 – “Saiam da cidade!” Durante a reunião do G20 (e também nos dias que antecederam o evento), a cidade de Buenos Aires se tornou o cenário de protestos organizados por 60 organizações argentinas e mais de 30 grupos estrangeiros. Os Aeroportos de Aeroparque e El Palomar fecharam suas portas na quinta-feira às 20:00 e só voltam a funcionar no sábado à noite. Já o aeroporto internacional de Ezeiza continuava funcionando, mas de forma mais lenta do que o costumeiro, devido às medidas de segurança para o evento. Os portenhos também ficaram sem trens desde a sexta-feira até domingo ao meio-dia. E as auto-estradas que passam ao lado do centro de reuniões dos líderes do G20 permanecem totalmente fechadas. O porto da capital argentina também teve suas atividades suspensas, de forma a evitar hipotéticos ataques provenientes do lado do Rio da Prata. O metrô também foi fechado. Até o sistema hospitalar fica reduzido, pois todas as cirurgias foram adiadas para depois da Cúpula (a não ser em caso de emergências), levando em consideração de uma eventualidade de ter que atender participantes do G20. Dias antes do início do evento, a própria ministra da Segurança da Argentina, Patrícia Bullrich, acabou protagonizando um sincericídio aos portenhos: “Saiam da cidade nestes dias!”5 – O príncipe que poderia ter sido presoNa véspera da chegada do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed Bin Salman, a ONG Human Rights Watch solicitou à Justiça argentina que o investigasse. As acusações eram de que ele seria o mandante da tortura e da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado de seu país em Istambul, Turquia. Além disso, a ideia era a de deter o herdeiro para que ele pretasse depoimento por esse caso e também pelos massacres de crianças e mulheres feitos pelos sauditas no Iêmen. O juiz federal Ariel Lijo solicitou informações para saber se ele foi investigado e processado na Arábia Saudita, Iêmen, Turquia e na Corte Penal Internacional.No entanto, o governo argentino deixou claro que o príncipe tem imunidade diplomática, já que ele está em Buenos Aires na categoria de representante de um Estado soberano. Uma eventual detenção de um dos integrantes do G20 teria causado um terremoto diplomático para o governo Macri.6 — Os pedidos excêntricos dos líderes que vieram para o G20As estrelas de rock são conhecidas por fazer pedidos esdrúxulos para seus camarins. Mas as estrelas da política também. E, como não poderia deixar de ser, a Cúpula do G20 em Buenos Aires contou com vários pedidos sui generis dos líderes que participam do evento. Um deles foi emitido pelo príncipe saudita Bin Salman, que solicitou a instalação de vasos sanitários e bidês inteligentes nos lugares onde estará (entre eles, seu banheiro no centro do G20). Os smart toillets, com uma série de comandos eletrônicos e luzes especiais para o escuro são da marca inglesa Kohler. Mas, peculiaridades à parte, os contribuintes argentinos não podem reclamar deste caso, pois o custo destes artefatos para higienizar as nádegas reais será pago pela monarquia saudita. O evento do G20 é laico. No entanto, Bin Salman exigiu uma sala exclusiva para suas orações no centro de convenções. Já o presidente russo Vladimir Putin levou a Buenos Aires seus próprios franco-atiradores. E também levou encarregados de fiscalizar cada passo da preparação dos alimentos que ele irá ingerir na companhia dos outros líderes. Putin e a primeira-ministra alemã Angela Merkel combinaram de ficar no mesmo hotel. Os dois se entendem sem problemas, pelo menos do ponto de vista idiomático. Merkel cresceu na Alemanha Oriental, onde ensinava-se russo nas escolas. E Putin fala alemão, já que era um oficial da KGB em Berlim pouco antes da queda do muro.Na lista de pedido da delegação chinesa está um jogo de polo, já que os argentinos são famosos por sua destreza nesse esporte hípico. Isso levou ao isolamento da área do hipódromo de San Isidro, o que irritou dos moradores da elitista área na Zona Norte da Grande Buenos Aires. 7 — Protecionismo e descalabro climáticoUm dos principais pontos desta cúpula do G20 é o protecionismo comercial defendido pelo presidente Trump. Christine Lagarde, atual dirigente do FMI e que participará da cúpula, deu um puxão de orelhas nos protecionistas, indicando que os recentes índices sugerem que a economia mundial enfrenta uma conjuntura crítica. Segundo ela, o “vento contra” pode ter provocado uma lentidão no ritmo da economia mundial. A diretora-gerente do FMI indicou que foi supreendente o baixo crescimento no 3º trimestre nas economias emergentes, além da China e na Zona Euro, onde a falta de um acordo do Brexit poderia provocar uma erosão na confiança dos mercados. Há um mês o FMI havia reduzido sua previsão de crescimento mundial de 3,9% para 3,7%. Mas, atualmente, Lagarde afirma que em todo o planeta estão se materializando o que ela chamou de “riscos significativos” e que aparecem no horiztonte “nuvens mais escuras”. Outro ponto crucial na pauta de discussões é a mudança climática global, problema negado pelo presidente dos EUA. Horas antes do início da cúpula, a ONU alertou que as emissões de dióxido de carbono aumentaram em 2017 pela primeira vez em quatro anos. Segundo a ONU, as modestas medidas tomadas até hoje para combater as mudanças climáticas deveriam ser “triplicadas”.8 – Assuntos que deram xabu no G20 portenhoO encontro entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin foi cancelado pelo americano devido às ações militares russas contra navios ucranianos no Mar Negro. Os porta-vozes do Kremlin, porém, encararam a decisão de Trump com ironia, declarando que, graças ao cancelamento, o presidente russo “terá um par de horas extra para encontros úteis no G20”. Esse é o tipo de piada que os russos chamam de “anekdoty”.Enquanto a tensão entre Washington e Moscou crescia, o avião de Angela Merkel, que havia partido de Berlim, teve de descer na cidade alemã de Colônia por problemas técnicos. Desta forma, a primeira-ministra alemã seria a última em desembarcar em Buenos Aires para o G20, chegando apenas para o último dia, sábado.Já o presidente da França, Emmanuel Macron chegou em Ezeiza sem problemas no voo. Mas, teve inconvenientes ao desembarcar, já que não havia representantes do governo Macri para recebê-lo. Macron cumprimentou um técnico da pista (vestido com um colete amarelo fosforescente) e um guarda e caminhou rumo a seu carro. Estava a ponto de entrar quando às pressas chegou a vice-presidente argentina Gabriela Michetti, que cumprimentou Macron em francês macarrônico. Horas depois, ao reunir-se com o presidente argentino, Macron sugeriu que o acordo União Europeia-Mercosul poderia não ser assinado. Macron destacou que não era favorável “a assinar acordos comerciais amplos com países que não respeitam o acordo de Paris”. Analistas em Buenos Aires deduziram que tratava-se de uma referência ao Brasil, já que o presidente eleito Jair Bolsonaro decidiu cancelar a candidatura para hospedar a COP25, cúpula ambiental marcada do ano que vem.O único num estado de espírito mais relaxado foi o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que participou de uma reunião paralela ao G20, na Sociedade Rural, sobre os benefícios da ioga e da meditação.9 — O lado gastrônomico do G20Durante dois séculos a Argentina foi famosa por ser o país do “baby-beef” e outros cortes de carne bovina. Por este motivo, o governo Macri bolou um cardápio de exaltação dos produtos bovinos da gastronomia argentina, entre eles o “choripán”, sanduíche feito de pão francês e uma linguiça de grandes dimensões. Para este caso, a diretriz do governo foi que o choripán não fosse dos grandes…mas tampouco pequeno demais.O casal Macron, vegetariano, e o primero-ministro da Índia (país onde as vacas são sagradas) foram poupados de ter pratos feitos a base desses quadrúpedes.De sobremesa, flan. Mas, carregado de doce de leite, quitute que os argentinos alegam ter sido inventado no início do século 19 no interior da província de Buenos Aires. Ariel10 – Corrida de baratasEm 2014 a cúpula do G20 foi realizada na cidade australiana de Brisbane. Mas, as atenções do convescote dos principais líderes mundiais foram divididas por uma cúpula paralela, que reunia treinadores de baratas. Eles realizavam, pelo 33º ano consecutivo, o campeonato mundial de baratas para ver qual era a mais rápida do mundo. Na ocasião vários habitués da competição de insetos destacaram que as baratas não haviam mudado praticamente desde o Jurássico, algo similar aos políticos, que permaneciam praticamente os mesmos ao longo da História da Humanidade.No caso da cúpula de Buenos Aires não existem cúpulas ou competições paralelas que tirem a atenção dlo G20. Apenas a decisão da Conmebol de realizar a final da Copa Libertadores em Madri, entre o Boca Juniors e o River Plate, ocupou, por algumas horas, mais atenção do que Trump e Putin.
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