Dersa pagou indenizações em espécie dentro de subprefeitura, diz testemunha

SÃO PAULO — Em audiência realizada nesta quinta-feira, uma das testemunhas de acusação do processo que investiga o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, afirmou que moradores que invadiram regiões próximas a obras administradas pela Dersa receberam as indenizações em espécie dentro de uma subprefeitura de São Paulo. As obras ocorreram entre 2009 e 2011. Paulo Vieira de Souza é apontado como suposto operador do PSDB.ENTENDA: O que pesa contra Paulo Preto na Justiça de SPLEIA: Operador diz que Paulo Preto lhe apresentou empresas investigadas De acordo com a denúncia, o consórcio contratado para realizar o cadastramento de moradores para a desapropriação das obras da Avenida Jacu-Pêssego e da ampliação da Marginal Tietê teria sido obrigado a incluir invasores como se fossem moradores das regiões da Vila Iracema e do Jardim São Francisco. Paulo Vieira de Souza ocupou cargos na Dersa entre 2005 e 2010.Em seu depoimento, a funcionária Elisângela das Graças Moreira indicou que alguns desses pagamentos foram feitos em uma subprefeitura. Os valores chegariam a R$ 10 mil. À época, a Dersa costumava pagar indenizações em espécie porque considerava que parte das pessoas não tinha acesso ao sistema bancário, sobretudo por problemas de crédito.A afirmação de que alguns dos pagamentos ocorreram de um prédio público foi destacado pelas procuradoras que acompanharam o caso. Para Ana Cristina Bandeira Lins, o ato poderia ser configurado como uma improbidade, caso comprovado. Segundo ela, a situação é ainda mais preocupante porque, no caso dos pagamentos de R$ 10 mil aos invasores, a Dersa tinha uma ordem judicial que permitia a reintegração de posse sem o pagamento dos invasores. Além disso, segundo o testemunho prestado nesta quinta-feira, o valor usual para esse tipo de situação girava em torno de R$ 1 mil, mas aumentou. A funcionária não soube explicar o motivo para a decisão da Dersa em aumentar o valor.LEIA: Perto dos 70 anos, Paulo Preto aposta em prescrição de crimesLEIA TAMBÉM: Antes de ser presa, filha de Paulo Preto queria viajar para paraíso fiscal— Nesse caso especificamente tinham inclusive autorização da Justiça para retirar as pessoas e eles não apenas não retiraram mas pagaram e pagaram um valor maior do que já tinham pago para outros invasores — afirmou Ana Cristina.Três testemunhas de acusação foram ouvidas, incluindo o auditor que apurou as irregularidades nos pagamentos de indenização dos programas de desapropriação do trecho Sul do Rodoanel, da avenida Jacu-Pêssego e das obras de ampliação da Marginal Tietê.Esse foi o segundo depoimento das três testemunhas, que foram reinquiridas para novos esclarecimentos da juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal de São Paulo.O GLOBO procurou a Secretaria de Prefeituras Regionais de São Paulo, a Dersa e aguarda seus posicionamentos. A defesa de Paulo Vieira não quis se pronunciar.
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