Delegado aposentado e filha não correm mais risco de morte

RIO — O delegado aposentado Evandro dos Reis José, de 70 anos, e sua filha Lívia José dos Reis, já não correm risco de morte, segundo a irmã do policial Maria Leonor, que está acompanhando os dois no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Ela disse que o quadro de saúde deles está estabilizado mas que precisam de observação médica. Os dois foram atingidos por tiros na cabeça ao serem abordados por criminosos na Rua Doutor Xavier Sigaud, esquina com a Rua Lauro Miller, na Urca, próximo à divisa com bairro de Botafogo, na noite de quinta-feira. No carro estava a filha de Lívia de apenas um ano, que ficou bastante assustada e chamou a atenção de moradores após os disparos pelos gritos. violencia_1805

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Vizinhos contaram ter ouvido vários tiros por volta das 22h e que ficaram bastante aterrorizados. Alguns disseram que já estão acostumados com assaltos na Rua Doutor Xavier Sigaud mas que nunca haviam ouvido o som de tiros.

– Foi um barulho horrível. É um dos momentos mais chocantes foi depois quando um bebê começou a chorar e a gritar desesperada. Pensei até em sair de casa para pegar a criança e socorrê-la. Mas não sabia o que ia encontrar na rua. Isso aqui está muito inseguro a todo instante roubasse celular de quem passa pela rua – contou uma moradora próxima, que não quis ser identificada.

Moradora a 28 anos da rua, a técnica de enfermagem Creuza Monteiro disse que de uns tempos para cá a violência tomou conta da região. Ela contou que a maioria dos crimes é roubo de celular mas que nunca tinha escutado tiros,que foi a primeira vez.

– Eu não sei o que aconteceu exatamente. Só ouvi muitos tiros lá de casa. Eu sei que aqui era uma rua tranquila, mas agora só o poder de Deus para nos livrar de tudo isso. Minha filha tinha acabado de chegar e ela disse que realmente eram tiros. Ela conhece porque trabalha numa escola na Maré. É difícil não conhecer o barulho de tiro. Realmente eu não sei mais o que pensar. É muito difícil! A gente fica em estado de medo permanente. Peço todo dia a Deus que nos proteja. Nós estamos realmente à mercê dos bandidos e o governo não faz nada. Essa intervenção… não vejo nada, ninguém fazer nada. Já tem um tempo que essa rua não é mais tranquila. Tem assalto de celular mas com tiros assim eu realmente nunca tinha visto. Da minha casa ouvi muitos tiros. Meu sentimento é de tristeza porque a gente paga imposto. E eu queria pedir ao governo ou a quem de direito que pusesse mais policiamento nessa rua porque realmente sempre foi um lugar tranquilo. Moro aqui há 28 anos. Eu ia muito à praia do Leme. Agora só vou à praia na Urca porque é perto do Círculo Militar – contou, indignada.WhatsApp Image 2018-05-18 at 04.39.38.jpeg

Jornaleira de uma banca próxima ao Rio Sul, Ana Mires contou que o delegado aposentado era seu cliente e que disse ter tomado conhecimento de que ele reagiu ao assalto.

– Soube que os criminosos seguiram ele desde a Avenida Pasteur e quando chegou aqui na esquina ele reagiu. É uma pessoa ótima, que morava aqui próximo. Eu nem sabia que ele era delegado – disse.

Outra moradora se disse chocada com a insegurança do lugar e afirmou que já não fica mais parada esperando o ônibus no ponto existente na rua próximo ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, do governo federal.

– Aqui é assalto a toda hora. Se você ficar parado com esse celular na mão por um tempinho vai ser assaltado. Eu ficava no ponto de ônibus esperando, mas já não fico mais. Vou para Avenida Pasteur. De vez em quando passam militares do Exército de moto carregando fuzis nessa rua, mas não é frequente. Eles vêm em horários determinados – disse a mulher, que não quis ser identificada.

Bem perto da Rua Doutor Xavier Sigaud fica o Círculo Militar da Urca, com várias instalações do Exército. Nele ficam o Instituto Militar de Engenharia (IME), a Bateria de Comando e Serviços da Fortaleza de São João, o Centro de Capacitação Física do Exército, a Escola de Educação Física do Exército e a Policlínica Militar da Praia Vermelha.

PM MORTO EM BOTAFOGO

Em Botafogo, no bairro vizinho à Urca, onde o delegado aposentado e sua filha foram baleados, um policial militar foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto . Este crime aconteceu no fim da noite desta quarta-feira, na Rua Dezenove de Fevereiro. Lotado no Centro Integrado de Comando e Controle, Rafael Silva Estêvão foi o 50º PM morto no estado do Rio apenas este ano e o segundo naquele dia.

Segundo o relato de testemunhas a policiais, a vítima saía do veículo no momento que foi surpreendida pelos bandidos. Ele tentou se desvencilhar do assaltante, mas um comparsa, também armado, disparou diversas vezes. Rafael foi atingido nas costas e morreu no local.


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