Defesa de Joesley apresenta pedido de liberdade à desembargadora que o prendeu


BRASÍLIA – A defesa do empresário Joesley Batista, dono da JBS, pediu à desembargadora Mônica Sifuentes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), a revogação de sua prisão. A defesa argumentou que Joesley já foi ouvido pela Polícia Federal (PF), que também já cumpriu os mandados de busca e apreensão. Assim, não haveria mais motivo para mantê-lo preso, uma vez que ele não poderia mais interferir na investigação que apura irregularidades no Ministério da Agricultura.

Foi a própria desembargadora quem determinou a prisão temporária, com duração de cinco dias, do empresário. A PF prendeu na sexta-feira pessoas acusadas de integrar um esquema de corrupção entre a JBS, o Ministério da Agricultura e a Câmara dos Deputados, que teria durado de 2014 a 2015.
Operação Capitu
Joesley, que firmou acordo de delação no ano passado e gravou o presidente Michel Temer, foi preso em setembro de 2017 acusado de omitir informações. Em março deste ano foi solto. A investigação que o levou à prisão novamente agora tem por base a delação da própria JBS e também de Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de esquemas de corrupção envolvendo políticos do MDB.

“Tal investigação não pode sofrer qualquer interferência do requerente (Joesley) uma vez que este, por decisão judicial, está afastado de qualquer atividade de gestão das empresas. Em outras palavras, impossível qualquer interferência. Sendo assim, não há mais motivos para a restrição de liberdade do ora Requerente”, argumentou o advogado André Callegari.

No pedido de liberdade, a defesa destacou que, sem a colaboração dos executivos do grupo, os fatos não seriam revelados. Afirmou também que Joesley relatou tudo o que sabia “de boa fé e sem reservas mentais”. Depois, acrescentou: “Não consta dos autos qualquer indicio de que o requerente esteja ocultando provas ou obstruindo as investigações. Ao contrário, todos os seus atos revelam o mais absoluto compromisso com o esclarecimento destes e de outros fatos”.

Lembrou ainda que seu acordo de delação continua válido. Embora tenha sido aberto um procedimento no Supremo Tribunal Federal (STF) para revê-lo, em razão das suspeitas de que pode ter omitido informações, ainda não há uma decisão a respeito. E uma de suas cláusulas prevê imunidade a Joesley.

Por fim, a defesa apontou que está prevista audiência na segunda-feira com testemunhas no processo de revisão do acordo, ato no qual ele pode comparecer. Além de Joesley, também foram presos, entre outros, Ricardo Saud, Florisvaldo Caetano de Oliveira e Demilton de Castro, ligados ao grupo J&F, controlador da JBS; o ex-secretário de Defesa Agropecuária, Rodrigo Figueiredo; o deputado estadual João Magalhães (MDB-MG); e dois ex-ministros da Agricultura: Antonio Andrade (MDB), que atualmente exerce o cargo de vice-governador de Minas Gerais, e Neri Geller (PP-MT), que se elegeu deputado federal em outubro.


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