Defesa de Cachoeira pede autorização para que ele viaje para fora do estado

Documento foi enviado à Justiça de Goiás e aguarda decisão. Contraventor cumpre pena por fraudes em lotérica carioca em regime semiaberto na Região Metropolitana de Goiânia. Carlinhos Cachoeira com a filha no colo durante aniversário dela de 2 anos
Reprodução/TV Anhanguera
A defesa do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, pediu autorização na Justiça de Goiás para que o cliente possa viajar a trabalho para Brasília (DF) e pernoitar na cidade. O bicheiro cumpre pena no regime semiaberto na Região Metropolitana de Goiânia por fraudes em loteria do Rio de Janeiro.
A solicitação foi feita na terça-feira (10) ao juiz Oscar de Oliveira Sá Neto, responsável pela 7ª Vara Criminal de Goiânia. Conforme última atualização do portal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), o magistrado ainda não decidiu a respeito do pedido.
Cachoeira usa uma tornozeleira eletrônica, trabalha durante o dia como coordenador comercial de uma empresa de medicamentos e passa as noites no Residencial Alphaville Cruzeiro do Sul, condomínio de luxo onde mora, em Goiânia. Conforme a defesa, A Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) já havia autorizado que, com o monitoramento eletrônico, ele circulasse pela capital e por Aparecida de Goiânia para exercício do trabalho.
Carlinhos Cachoeira vai dormir em casa, em condomínio de luxo, em Goiânia
Honório Jacometto/TV Anhanguera
Conforme o pedido, o contrato do contraventor com a empresa exige que ele viaje para outros estados a trabalho. O documento pede que Cachoeira “seja autorizado a realizar deslocamentos que ultrapassam os limites da capital do estado e de Aparecida de Goiânia, de modo a viabilizar sua atuação profissional em todo o estado de Goiás e nas demais unidades da federação”.
O documento justifica ainda que o bicheiro precisa fazer as viagens para realizar “reuniões com clientes, treinamentos de representantes comerciais e prospecção de novos fornecedores”.
Consultada pelo G1, a DGAP informou que ainda não tem conhecimento do pedido.
Advertência
Cachoeira compareceu à festa de aniversário de 2 anos da filha no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) do Jardim Itaipu no último dia 21 de junho. Na época, a defesa dele afirmou que o preso não estava descumprindo nenhuma medida.
Ele sofreu Processo Administrativo Disciplinar (PAD) pela DGAP, que considerou a infração como “grave”. No entanto, o órgão sugeriu à Justiça que puna o detento com uma advertência verbal.
Calinhos Cachoeira comemora aniversário de 2 anos da filha
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Condenação
Condenado a 6 anos e 8 meses em regime fechado por fraudes na loteria carioca, Cachoeira obteve junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) diminuição da pena para 4 anos e progressão para o semiaberto. Por isso, ele passou a ser monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica e começou a trabalhar como coordenador comercial em uma empresa de distribuição de material hospitalar e farmacêutico, situada no Polo Industrial. O salário é de R$ 6,5 mil.
A transferência do bicheiro para o regime semiaberto ocorreu apesar do preso responder por processo disciplinar por planejar um churrasco no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Servidores envolvidos na ação, que teriam autorizado entrada de carnes, mandioca e tomate, foram afastados, segundo a DGAP.
A DGAP havia informado na época que, de acordo com carta de emprego e pedido de dilatação de horário protocolado na Vara de Execução Penal, Cachoeira pode trabalhar até as 21h. Ele não pode ingerir bebida alcoólica. Além do serviço, está liberado para ir a consultas médicas e odontológicas, além de audiências judiciais.
Preso em Goiás por fraudes na Loterj
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Fraudes na Loteria
Em 2012, Cachoeira e Waldomiro Diniz, ex-assessor do Palácio do Planalto, foram condenados a 8 e a 12 anos de prisão, respectivamente, pela 29ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, por corrupção e fraude em uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio, Waldomiro Diniz pediu R$ 1,7 milhão ao empresário como propina – o dinheiro também teria sido usado para abastecer campanha eleitoral de políticos.
Em troca, acrescenta o MP do Rio, Cachoeira obteve a alteração de um edital de licitação para se favorecer.
Na mesma decisão em que pediu a prisão imediata de Cachoeira, o ministro Nefi Cordeiro rejeitou um outro pedido do Ministério Público, para execução da pena de Waldomiro, por entender que ainda há recurso pendente de análise na Justiça.
Prisões anteriores
Cachoeira já foi condenado por crimes como contrabando de caça-níqueis, peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha.
O bicheiro foi preso pela primeira vez em 29 de fevereiro de 2012, na Operação Monte Carlo. De acordo com a Polícia Federal, ele comandava um esquema de jogos de azar em Goiás e no Distrito Federal, com envolvimento de políticos.
Após nove meses, Cachoeira deixou o presídio da Papuda, em Brasília, beneficiado por um alvará de soltura expedido pela 5ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Na época, ele foi condenado na Operação Saint-Michel, um desdobramento da Monte Carlo, que apurou o envolvimento de agentes públicos e empresários em uma quadrilha que explorava o jogo ilegal e tráfico de influência também em Brasília.
Duas semanas depois, em 7 de dezembro, Cachoeira foi preso novamente após ser condenado a 39 anos de prisão por peculato, corrupção ativa, violação de sigilo e formação de quadrilha. Entretanto, conseguiu um habeas corpus e deixou a cadeia quatro dias depois.
Cachoeira voltou a ser preso no dia 30 de junho de 2016, no condomínio de luxo onde mora em Goiânia, pela Operação Saqueador, da Polícia Federal (PM) e do Ministério Público Federal (MPF). A ação apurava lavagem de dinheiro e desvio de verbas em obras públicas. A investigação apontou um esquema que desviou R$ 370 milhões de cofres públicos.
Conforme o MPF, na época, Cachoeira era responsável por criar empresas e contratos fictícios com a construtora Delta. O valor era sacado e usado para pagamento de propinas. Logo após a deflagração da operação, o MPF informou que pedia a condenação dos envolvidos por lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de solicitar a reparação dos danos causados.
Após a prisão, ele foi levado para o Rio de Janeiro, onde ficou por pouco mais de um mês. No dia 17 de agosto, ele teve a prisão preventiva convertida em domiciliar e foi levado de volta para a capital goiana. O pedido de habeas corpus da defesa do contraventor já havia sido feito ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, que havia negado a solicitação.
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