De Olho no Lixo: ainda à espera de definição


RIO — Tudo parado. É assim que respondem, com pesar, os responsáveis pelo projeto ambiental De Olho no Lixo, que funcionava desde 2016 na Rocinha, na localidade conhecida como Roupa Suja. No último dia 16, vários órgãos da prefeitura, com o apoio da Polícia Militar, estiveram na sede do projeto, derrubando o muro, o portão e as estruturas de concreto. Na ação, máquinas de costura e de prensa de materiais recicláveis e outros equipamentos que eram utilizados foram danificados. obras2A prefeitura afirma que o programa não acabou e que será realocado num galpão já desapropriado pelo órgão na Estrada da Gávea 580, segundo decreto publicado no Diário Oficial do Município no último dia 19. No entanto, o imóvel ainda não foi totalmente liberado para que o projeto o ocupe, uma vez que está em fase de indenização dos proprietários.Enquanto isso, alguns trabalhadores assistidos pelo projeto vão fazendo trabalhos por conta própria para garantir o sustento. Cursos de capacitação serão retomados em local improvisadoO De Olho no Lixo é fruto de uma cooperação entre a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Viva Rio Socioambiental e trabalha com 30 agentes socioambientais que fazem o recolhimento dos resíduos. Dele, nasceram diversos projetos como o Funk Verde, que oferece oficinas de percussão e teoria musical com o reaproveitamento de materiais retirados do lixo para a confecção de instrumentos musicais. E o Ecomoda, voltado para a capacitação em produção de acessórios e peças de vestuário, a partir do reaproveitamento de retalhos, tecidos e jeans usados. Ambos já capacitaram mais de cem pessoas. Os cooperativados têm uma renda mensal que varia de R$ 400 a R$ 1.500 e que sofreu uma queda desde a ação da prefeitura.— Alguns cooperativados têm coletado material por conta própria porque dependem disso. Essa é a sobrevivência deles. Mas não existe mais um lugar físico onde o material possa ser estocado, e nem onde o maquinário possa ser alocado — explica Almir França, coordenador do Ecomoda, comentando que, além de provocar uma sensibilização ambiental, os projetos dão aos participantes a possibilidade de geração de renda.Segundo Regina Café, coordenadora do Funk Verde, os cursos de capacitação serão retomados na segunda-feira, de forma improvisada, em locais emprestados pela comunidade. — Estamos tentando resistir. Todos ficaram muito abalados — afirma. Há ainda a cooperativa Rocinha Recicla, formada por 57 trabalhadores, entre agentes socioambientais, cooperativados e agregados do programa De Olho no Lixo, todos moradores da comunidade.— Será um fim de ano triste para tantas pessoas que são beneficiadas e tiram seu sustento desses trabalhos realizados a partir do lixo — lamenta José Antônio Trajano, presidente da Rocinha Recicla. Por meio de nota, a Secretaria de Estado do Ambiente e o Inea afirmaram que a ação da prefeitura foi feita de forma arbitrária e desrespeitosa e lamentaram a forma violenta como se deu a operação, pegando moradores e integrantes do projeto de surpresa. Informaram ainda que enviaram ofício à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) pedindo providências e reiteraram que desconhecem a razão oficial da intervenção da administração municipal naquele espaço.A prefeitura afirma que a área que o projeto ocupava não apresentava infraestrutura necessária para abrigar as atividades da ONG, por isso a transferência se fez necessária. Diz ainda que o material oriundo da coleta dos catadores era armazenado em local inadequado, atraindo ratos e todo tipo de insetos.SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER ( OGlobo_Bairros )
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