Crítica: 'Rasga coração


“Chegou a vez dele”, diz o pai, ex-militante contra a ditadura militar, hoje um funcionário público que passa os dias reclamando do governo e sonhando com o passado que prometia mais do que o presente entregou. O pai, Custódio “Manguari” (Marco Ricca quando adulto e João Pedro Zappa quando jovem), se refere à vez de Luca (Chay Suede), seu filho, envolvido em um movimento de ocupação na escola que proibira visuais “inadequados”. Trailer do filme ‘Rasga coração’O incentivo paterno às aspirações do filho, contudo, não perduram. O conflito em “Rasga coração”, filme de Jorge Furtado em adaptação à peça homônima de Oduvaldo Vianna Filho escrita e censurada durante a ditadura, está na dificuldade do pai em compreender um novo tempo, de novas lutas. Por exemplo, quando a mãe, Nena (Drica Moraes adulta e Duda Meneghetti jovem), imagina que Luca está trancado no quarto com outro homem, a suposição da homossexualidade se transforma em crise. Já quando o filho diz que não está preocupado com o estudo, só quer percorrer o mundo para ajudar as pessoas, o pai reclama, pede juízo, expressa seu conformismo com os padrões sociais que ajudou a estabelecer.Acontece que Manguari se projeta em Luca, recordando inclusive os embates que tinha com seu próprio pai (Nelson Diniz), mas os sonhos da nova juventude se transfiguram nas frustrações — políticas, sexuais ou comportamentais — da antiga. O único elemento que se mantém inabalável é o racismo, expresso em como negros são diferenciados no passado e no presente.Assim, “Rasga coração” segue bem a obra de Jorge Furtado, um diretor que busca um cinema ao mesmo tempo popular e cheio de elementos que ajudam a pensar o Brasil. Serviço do filme ‘Rasga coração’
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