Crítica: Incansável, Steven Tyler desfia repertório com hits de várias décadas

RIO — Aos 69 anos de idade, Steven Tyler impressiona. Com metade de sua idade — e frações bem menores de seu abuso químico — vocalistas de grandes bandas de rock não chegam nem perto do que esse senhor mostrou no show de encerramento do Palco Mundo, na madrugada de sexta. Junto com o guitarrista Joe Perry — o Keith Richards para o seu Mick Jagger — ele carregou a banda por bem mais de hora, singrando por um repertório com hits de várias décadas, sem dar sinais de cansaço. Uma prova de resistência, sem dúvida.

Um dos gigantes do hard rock dos anos 1970, o Aerosmith pode não ter tido a originalidade de um Led Zeppelin, mas desenvolveu um trabalho consistente, que influenciou de diversas maneiras uma geração de bandas dos 1980, encabeçada pelos Guns N’Roses. O “Carmina Burana” que tocou na apresentação em vídeo da história da banda deu dimensão épica ao seu legado. Para defendê-lo ao vivo, ela começou com “Let the music do the talking” — e o que a música disse foi que Steven é incansável, Joe ainda tem presença e muitos riffs, e os demais músicos correm atrás para não perder o passo.

Os palcos Sunset e Mundo do Rock in Rio no dia 21“Love in an elevator”, sucesso dos anos 1980, deixa o Aerosmith mais a nu — sem os penduricalhos eletrônicos da era, a música sobrevive mais do empenho de Steven que de qualquer outra coisa. Em “Cryin” ele saca até uma gaita e se solta ainda mais no bombástico “Living on the edge”. Joe Perry rouba um pouco do brilho ao tocar pedal steel em “Rag doll”, mas logo o vocalista terá as luzes sobre si nas imbatíveis “Crazy” e “I don’t wanna miss a thing”.

Uma banda bem menos sutil que os Stones, o Aerosmith costuma ganhar mais dinâmica em seu repertório mais antigo e orgânico — daí que a sequência com “Come together” (dos Beatles) e “Sweet emotion” deu sabor especial ao show, emendando em “Dude (looks like a lady)” — hard rock naquilo que ele tem de mais exemplar.

Leia as críticas dos shows da segunda semana do Rock in Rio 2017No bis, Steven Tyler não fugiu à luta e, ao piano, guiou o Aerosmith pela sessão de drama que é “Dream on” — inspiração para um punhado de power ballads da história. E o show não podia acabar com outra que não “Walk this way”, rock funkeado que possibilitou um duelo de voz e guitarra dos donos da banda. Se a aposentadoria está próxima, não parece nem um pouquinho.

Cotação: Bom

Fonte: O Globo Crítica: Incansável, Steven Tyler desfia repertório com hits de várias décadas

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