Cristiane Brasil manteve 'comando' no Ministério do Trabalho, diz PF

BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) afirma que a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), exercia “grande influência” no Ministério do Trabalho, mesmo tendo sido impedida pela Justiça de assumir o órgão, e que ela “foi alçada, na prática, a um posto de comando da pasta”. A argumentação foi exposta na representação em que a PF pede medidas cautelares contra ela, na segunda fase da Operação Registro Espúrio, que investiga fraudes na concessão de registros no Ministério do Trabalho. “O conteúdo das conversas revela que, em que pese ter sido impedida por decisão judicial de tomar posse como Ministra do Trabalho no início do corrente ano, Cristiane passou a exercer grande influência no órgão. Os diálogos demostram que Cristiane Brasil, mesmo não ocupando formalmente qualquer cargo na estrutura do Ministério do Trabalho, foi alçada, na prática, a um posto de comando na Pasta”, diz o texto.Em janeiro, Cristiane foi indicada para assumir o Ministério do Trabalho, no lugar de Ronaldo Nogueira (PTB-RS). Entretanto, a posse dela foi barrada pela Justiça após ser divulgado que ela já havia sido condenada em um processo trabalhista. Depois de uma batalha judicial, que durou cerca de um mês e meio e chegou até o Supremo Tribunal Federal (STF), o PTB desisitiu da indicação. Para destacar a influência de Cristiane, a PF se baseou na troca de mensagens entre ela e o servidor Renato Araújo Júnior, que é um dos suspeitos de integrar o esquema e foi preso na primeira fase. Em uma delas, Renato afirma o secretário-adjunto de Relações de Trabalho do ministério seria “fake” (ou seja, falso) e que os dois estariam “comandando”. O servidor também relata estar aliviado por não ter mais que “assinar sozinho”, e diz que o deputado Paulinho da Força (SD-SP) — que foi um dos alvos da primeira fase da operação — já havia entendido o novo papel de Cristiane. A deputada responde “Sob nova direção”. A representação foi baseada em um relatório das mensagens encontradas no celular de Renato. O documento afirma que uma “análise superficial dos materiais apreendidos” permite dizer que ele era “braço direito de Cristiane Brasil”, o que indicaria que “Renato tenha considerável influência no Ministério do Trabalho”.Ao ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirmou que não poderia pedir a prisão de Cristiane Brasil por causa da imunidade parlamentar, mas pediu a decretação de medidas cautaleres contra ela: a a proibição de frenquentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com servidores da pasta e outros investigados, “a menos que esteja no estrito exercício do mandato, com prévia comunicação e justificação” ao STF. Fachin aceitou os pedidos.
Leia a notícia completa em O Globo Cristiane Brasil manteve ‘comando’ no Ministério do Trabalho, diz PF

O que você pensa sobre isso?