Criminosos efetuaram 29 disparos no quarto de hospital onde mataram jovem, no RS


RIO — A perícia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul vai determinar quantos tiros acertaram o corpo do jovem morto por engano em um hospital na madrugada desta sexta-feira. No quarto onde estava Gabriel Minossi, de 19 anos, foram disparados 29 tiros, informou ao EXTRA o delegado Alexandre Quintão, da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Quatro homens fortemente armados invadiram o Hospital Centenário, em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por volta das 4h15 após renderem seguranças. O alvo deles era um criminoso de 28 anos que possui passagens por dois homicídios e tráfico de drogas. O homem, cuja identidade não foi revelada, saiu da cadeia há menos de um mês e vinha sofrendo ameaças de morte. Ele estava internado por ter sido baleado, segundo o hospital. Quintão afirmou que as pessoas que ele matou também tinham envolvimento em atos ilícitos.

Dois membros da quadrilha ficaram no lado de fora do hospital, enquanto os outros dois entraram e mataram Gabriel, que seria liberado nesta quinta-feira, mas precisou ficar mais um dia devido à pressão alta. Outras duas pessoas ficaram feridas, de acordo com a direção da unidade de saúde.

De acordo com o delegado, o hospital já forneceu as imagens de câmeras de segurança que captaram o movimento dos criminosos. Elas serão analisadas pelos investigadores, que realizam diligências para identificarem os suspeitos envolvidos na morte do paciente.

A Procuradoria Jurídica do Hospital, já sabendo das ameaças ao paciente, tinha pedido que a PM reforçasse a segurança, mas a direção afirmou que essa solicitação não fora atendida.

“Por medida de segurança interna, o paciente foi transferido de leito para um quarto de isolamento. Pelo mesmo motivo, o leito ocupado por este paciente foi bloqueado não sendo ocupado por nenhum outro paciente”, informou a direção em um comunicado.

Em nota, a direção do Hospital Centenário lamentou “profundamente o desfecho deste episódio, que vitimou um paciente internado na instituição, e feriu outras duas pessoas”. A direção pediu ao 25º Batalhão da Polícia Militar que reforce a escola na unidade.

‘Meu melhor amigo’, diz pai da vítima

O pai do jovem de 19 anos que foi morto por engano em um hospital no Rio Grande do Sul disse que mantinha uma ligação muito forte com seu filho único, considerado seu melhor amigo. Marcelo Minossi descreveu Gabriel como um jovem “trabalhador, honesto e sem vícios”, que gostava das tradições gaúchas, de tocar violão e de participar do coral da igreja.

— Eu já estava com o coração na mão de ver meu filho no hospital. A gente tinha uma ligação muito forte, ele era meu filho único, meu melhor amigo, uma criança ímpar, criada dentro do Centro de Tradições Gaúchas (CTG), da igreja, participava do coral, tocava violão — disse Marcelo ao EXTRA na tarde desta sexta-feira.

O pai do paciente contou que seu filho estava sendo muito bem atendido pelos funcionários do hospital. Ele afirmou que “todo mundo pegou carinho” com o Gabriel na unidade de saúde, ao longo da semana de sua internação.

— As enfermeiras só faltaram pegar ele no colo. Gabriel era um bebezão, só tinha tamanho: 1,85m e 19 anos.

Segundo Marcelo, o jovem sofreu um acidente de trânsito no dia 1º e quebrou os dois fêmures. Internado, precisou passar por cirurgia e estava se recuperando.

— Me deu um pouco de susto, estava com um pouco de infecção, depois ele operou e melhorou. Ia ser liberado ontem (quinta-feira). Só não liberaram porque ele estava com a pressão alta. Seguraram ele mais um dia — disse.

‘Tô te esperando pra uma volta, gordinho!!’

Gabriel estava no seu primeiro trabalho, na área de mecânica de motos. Segundo seu pai, ele estava gostando. Os dois tinham o hábito de andarem juntos de moto “pra cima e pra baixo”.

Na segunda-feira, o pai de Gabriel publicou uma foto deles andando de moto e escreveu: “Tô te esperando pra uma volta, gordinho!! Vamo!!! (sic)”. Nos comentários, parentes e amigos davam força para Marcelo, desejando melhoras para o jovem e dizendo que em breve eles estariam juntos novamente.

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O pai também publicou um emocionado desabafo no Facebook nesta quarta-feira sobre a apreensão que sentiu durante este período do filho no hospital.

“Ver teu filho numa cama de hospital, correndo o risco de morte deixa qualquer pai e mãe com o coração em pedaços…”, escreveu Marcelo na rede social, dois dias antes do trágico engano que tirou a vida do jovem. “Todos esses dias que fiquei no hospital cuidando dele…ver ele com dor, a única coisa que vinha na cabeça e que tu queria trocar de lugar com ele, pra não ver teu filho assim…”.

Post do pai da vítima

Leia abaixo, na íntegra, na nota do Hospital Centenário:

“Em relação ao fato ocorrido na madrugada desta sexta-feira, dia 9 de novembro, entraram no Hospital, executando um paciente e ferindo outras duas pessoas, a Direção do Hospital Centenário esclarece:

Na quinta-feira, ao tomar conhecimento do ingresso de paciente vítima de arma de fogo, com informações de ameaças à sua integridade física, a Procuradoria Jurídica do Hospital emitiu ofício (nº 216/208) ao 25º Batalhão da Brigada Militar, solicitando escolta a esse paciente, o que não foi atendido.

Por medida de segurança interna, o paciente foi transferido de leito para um quarto de isolamento. Pelo mesmo motivo, o leito ocupado por este paciente foi bloqueado não sendo ocupado por nenhum outro paciente.

Dado à gravidade do ocorrido, no início da manhã, foi emitido novo ofício (nº 208/2018), ao 25º Batalhão, solicitando reforço de escolta.

A Direção do Hospital Centenário lamenta profundamente o desfecho deste episódio, que vitimou um paciente internado na instituição, e feriu outras duas pessoas. Da mesma forma, reitera as medidas de segurança, e, tão logo seja possível, serão restabelecidos os fluxos de visitas e de acompanhantes”.


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