Cotado para o Itamarary, ex-embaixador do Brasil na Coreia foi recebido pela equipe de transição


BRASÍLIA – O embaixador Luis Fernando Serra se reuniu na quinta-feira com o ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Os dois conversaram por pelo menos por 20 minutos. Ex-embaixador do Brasil na Coreia do Sul, Serra é um dos nomes cotados para assumir o Ministério das Relações Exteriores no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro. Serra deixou Seul no mês passado e desde então retornou a Brasília, onde aguarda a designação para uma nova função, que pode ser uma nova embaixada ou, agora, com a mudança dos ventos políticos, a indicação para o comando do Itaramaty.

Serra se aproximou de Lorenzoni em fevereiro deste ano, quando o presidente eleito Jair Bolsonaro, ainda em pré-campanha eleitoral, visitou a Coreia do Sul em busca de informações sobre o sucesso econômico e social do país. Na condição de embaixador brasileiro, coube a Serra acompanhar, por três dias, Bolsonaro, Lorenzoni e três dos cinco filhos do presidente eleito, que estavam na comitiva. Diplomata com longa carreira na Europa, África e Ásia, Serra destacou os investimentos maciços do governo local em educação para explicar as razões do crescimento econômico e da distribuição de renda na Coreia. Lorenzoni teria se identificado com as análises do embaixador e, desde então, um canal estava aberto entre os dois. Bolsonaro

O ministro e o embaixador conversaram numa das salas do CCBB. Outras pessoas responsáveis pela passagem do bastão do governo Temer para à equipe de Bolsonaro, acompanharam o encontro. Aparentemente a escolha do ministro de Relações Exteriores ainda está em aberto. A questão deve ser definida na próxima semana, quando o ministro e o embaixador deverão ter uma nova conversa. Antes disso, Bolsonaro, Lorenzoni e Paulo Guedes, o futuro ministro da Economia, querem acertar outras áreas do governo.

Sem assessores de peso na área internacional até agora, Bolsonaro se envolveu nas piores enrascadas desta fase inicial de formação de governo ao tratar de política externa. Depois de declarar que a embaixada do Brasil em Israel seria transferida de Tel Aviv para Jerusalém, o presidente eleito teve que recuar. Diante de uma possível retaliação do mundo árabe, Bolsonaro disse, na terça-feira, que a questão ainda não estava definida. As razões são de natureza econômica. De janeiro a setembro o Brasil exportou para Israel cerca de US$ 270 milhões. Neste mesmo período, as exportações brasileira para os países bateram a casa dos US$ 10 bilhões.

Uma eventual decisão dos árabes em reduzir as importações do Brasil poderia atingir diretamente os interesses da bancada ruralista, uma das bases de apoio de Bolsonaro. Entre os produtos brasileiros mais comprados pelos países árabes estão a carne e o frango. Mas o problema não para por aí. A indefinição sobre a embaixada criou um clima de animosidade também na bancada evangélica, outro pilar do futuro governo Bolsonaro. Líderes evangélicos entendem que a transferência da embaixada para Jerusalém é um compromisso de campanha e, por isso, o presidente eleito não poderia desistir da promessa.

Bolsonaro também escorregou ao fazer comentários sobre a expansão dos investimentos da China no Brasil. Para completar, Paulo Guedes chegou a dizer, numa entrevista coletiva, que o Mercosul não era uma das prioridades do novo governo. Especialistas na questão consideram um erro os comentário do futuro ministro. A Argentina responde hoje pela importação de 25% dos produtos manufaturados do Brasil. Um desencontro com os argentinos nesta área poderia resultar em forte impacto para a indústria brasileira.

Neste contexto, Serra surge com um dos possíveis nomes a comandar o Ministério das Relações Exteriores. Antes passagem por Seul, Serra foi embaixador em Gana e Cingapura. Fora dos grupos ligados ao ex-chanceler Celso Amorim, o embaixador teria sido preterido, ao longo dos governos do PT, nas escolhas das embaixadas da Europa, embora ele tenha sido ministro conselheiro por sete anos na Alemanha, Paris e Moscou. Agora, o antigo “exílio”, com um claro distanciamento dos grupos afinados com a esquerda, seria um trunfo a mais do embaixador. Procurado pelo GLOBO, não quis fazer comentários sobre o assunto.


Leia a notícia completa em O Globo Cotado para o Itamarary, ex-embaixador do Brasil na Coreia foi recebido pela equipe de transição

O que você pensa sobre isso?