Costureira morta por PM é enterrada em Duque de Caxias, RJ


Vânia Silva Tibúrcio Lopes estava com o marido dentro do carro da família quando foi baleada em durante blitz na noite de segunda-feira (20). Vítima teve morte cerebral confirmada na terça (21). Carlos Alberto Lopes, marido da vítima, se emociona durante enterro
Jorge Bonnacchi/ Tv Globo
A costureira Vânia Silva Tibúrcio Lopes, morta a tiros por um PM, foi enterrada na tarde desta quarta-feira (22), às 15h, no cemitério Nossa Senhora das Graças, conhecido como Tanque do Anil, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Durante a cerimônia, familiares e amigos estiveram presentes para se despedir de Vânia. O irmão da vítima, Paulo César Tibúrcio, disse que perdoa o policial, mas afirmou que a perda de Vânia é dolorosa.
“Vai ser difícil. Ela era guerreira, trabalhadora, tinha a confecção dela em casa. Só eu sei a luta que ela tinha pra levar as crianças pra escola. Vamos cuidar dos filhos dela. A gente perdoa o policial que fez o disparo, sabemos que a profissão dele é arriscada, mas o ato que ele praticou, isso ninguém aceita”, lamentou o irmão de Vânia.
A cunhada da vítima, Simone Prado, disse que quer justiça pela morte da costureira e não aprovou o tratamento dado pelo Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo, onde Vânia ficou internada até a confirmação de morte cerebral.
“O policial estava despreparado, sem necessidade ele deu dois tiros para matar. Vamos correr atrás dos nosso direitos e do hospital pelo que eles fizeram. Meia-noite disseram que ela estava morta, aí depois disseram que estava viva. Isso não se faz”.
Familiares e amigos de Vânia se reuniram no cemitério Nossa Senhora das Graças, em Caxias, na Baixada Fluminense
Jorge Bonacchi/ Tv Globo
Filhos da costureira são abraçados durante cerimônia em cemitério de Caxias
Jorge Bonacchi/ Tv Globo
Corregedoria da PM investiga abordagem policial
Na terça (21), a Corregedoria da Polícia Militar abriu procedimento interno para apurar as circunstâncias em que a Vânia foi baleada, já que o veículo em que ela e o marido estavam havia sido roubado em abril e foi recuperado, mas somente nesta terça-feira (21), seria dada a baixa do registro do roubo no Detran.
No sistema da PM, o veículo ainda constava como furtado. Os agentes viram a placa e ordenaram a parada. O marido, que estava no volante, garante ter obedecido à ordem, mas assim mesmo um agente atirou e acertou Vânia.
“Foi um tiro para matar. Um tiro na direção da cabeça. Poderia ter dado no pneu do carro, que estava parado. Não tinha necessidade do que ele fez”, afirmou o marido da vítima, Carlos Alberto.
No entanto, a PM informou que o o casal não obedeceu à ordem de parar e tentou fugir da equipe. O carro teria sido perseguido e interceptado por outras viaturas em seguida com sinal luminoso.
Quando Carlos teria desembarcado, o veículo estaria engrenado e quase atropelou um dos policiais, o que teria induzido a guarnição a achar que se tratava de uma tentativa de fuga. “Foi quando houve o disparo”, diz o comunicado da Polícia Militar.
Ainda de acordo com a polícia, os policiais que participavam da blitz cursaram recentemente Estágio de Aplicações Táticas, aprimoramento técnico ministrado pelo Comando de Operações Especiais da Polícia Militar. “Portanto, estavam capacitados para cumprir missões em blitz, mesmo em condições adversas”, prossegue a nota.
De acordo com o marido de Vânia, o policial pediu perdão por ter baleado a sua mulher. O PM teve a arma apreendida.
“Perdoar diante de Deus, ele está perdoado. Eu perdoo. Mas eu quero saber como eu vou chegar em casa e falar para os meus dois filhos que estão dentro de casa esperando a mãe deles. Um de oito e outro de dez anos. Eu quero que a justiça seja feita”, destacou Lopes.
Vânia teve morte cerebral confirmada pela Prefeitura de Caxias por volta das 15h40 desta terça
Reprodução/ Redes sociais
Costureira foi baleada dentro de carro da família durante abordagem policial
Reprodução/ Redes sociais
Leia a notícia completa em G1 Costureira morta por PM é enterrada em Duque de Caxias, RJ

O que você pensa sobre isso?