Copom surpreende mercado e mantém Selic a 6,5% ao ano

54649773_ECO Brasília BsB DF 04-04-2016 - Banco Central - Na foto sede do Banco Central do Brasi.jpgBRASÍLIA – Em uma decisão que surpreendeu o mercado, o Banco Central manteve a taxa básica
de juros da economia em 6,50% ao ano. Foi a primeira vez que a atual diretoria
da autoridade monetária não seguiu o que sinalizava ao mercado financeiro. A
expectativa era que o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciasse um novo corte de 0,25 ponto
percentual da taxa básica e o fim do ciclo de queda que começou em 2016. O
aumento dos riscos para a economia fez o BC antecipar os planos.

“Na avaliação do Copom, a
evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou
desnecessária uma flexibilização monetária adicional para mitigar o risco de
postergação da convergência da inflação rumo às metas. Para as próximas
reuniões, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar
corrente”, disse o Banco Central em comunicado publicado após a reunião.

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Com o movimento, o BC encerra um ciclo de 12 quedas consecutivas dos juros
básicos. A manutenção da Selic ocorre em um cenário de dólar valorizado no mundo
todo, em decorrência de uma expectativa de aceleração do processo de alta de
juros nos Estados Unidos. No comunicado, o Copom argumentou que o cenário externo tornou-se mais
desafiador e apresentou volatilidade. Mercados financeiros internacionais estão
em momento de ajustes e, consequentemente, uma redução do apetite ao risco em
relação a economias emergentes. Ou seja, o Brasil está menos atrativo para o
investidor internacional.

O BC relativizou ainda os dados ruins da economia. Disse que, apesar de os
últimos indicadores de atividade econômica mostrarem arrefecimento, o Brasil
vive um cenário de recuperação consistente e gradual.

Falou ainda que o comportamento da inflação permanece favorável. As projeções
do Copom estão em
torno de 3,6% para 2018 e de 3,9% para 2019. Nessa conta, o Banco Central usou a
previsão dos analistas do mercado financeiro de que os juros cairiam um pouco
mais e que a taxa de câmbio que terminará este e o próximo ano em US$ 3,40 por
real. Essas variáveis, entretanto, devem ser ajustadas daqui para frente.

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O BC divulgou também uma conta que diz que, com juros e câmbio nos patamares
atuais, a inflação para este e o próximo ano será de 4%.

Nos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em
apenas 2,76%. A meta do BC é fazer com que ele chegue a 4,25% no ano que
vem.

O movimento de corte de juros pelo BC começou em outubro de 2016, como forma
de estímulo à economia. De lá para cá, a Selic saiu de 14,25% ao ano para os
6,50% atuais. Apesar de esboçar sinais de melhora, contudo, a economia ainda não
decolou. Nesta quarta-feira, o Banco Central divulgou que a atividade encolheu
0,13% no primeiro trimestre, de acordo com o índice da autarquia que mede a
atividade do país (IBC-BR). A previsão dos analistas do mercado financeiro era
de uma alta de 0,2%. A queda interrompeu uma sequência de quatro trimestres de
crescimento.


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