Coordenador da bancada evangélica "retira" indicações, mas nega crise com Bolsonaro


BRASÍLIA – O coordenador da bancada evangélica, Hidekazu Takayama (PSC-PR), afirmou que o grupo decidiu retirar os nomes indicados para compor o ministério do presidente eleito Jair Bolsonaro, mas negou a existência de qualquer crise. Mirando o Ministério da Cidadania, e atendendo a um pedido de Bolsonaro, a bancada indicou os deputados Gilberto Nascimento (PSC-SP), Marco Feliciano (Podemos-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-RS). – Como nós indicamos nomes que poderiam estar bem na parte da Cidadania, eles de comum acordo conosco já comunicam que não querem nenhum outro ministério – disse Takayama ao GLOBO.O coordenador da bancada sustenta que o apoio a Bolsonaro é por “vinculação” e nega qualquer incômodo com o fato de os nomes terem sido preteridos pelo de Osmar Terra (MDB-RS) para a pasta da Cidadania.- Não há nenhuma obrigação da parte dele na escolha de nomes. A palavra certa entre nós e Bolsonaro é vinculação e princípios. Nós só queremos que o governo dê certo. Os cristãos e as famílias conservadoras o apoiam por isso – disse Takayama.Apesar do discurso do coordenador da bancada, há sim descontentamento no grupo. Um deputado influente da bancada afirmou ao GLOBO que os nomes só foram enviados por solicitação do presidente e que o fato de eles terem sido ignorados expôs o grupo de forma desnecessário. Esse parlamentar ressalta que a necessidade de se indicar nomes para atender ao pedido tinha até gerado divisão na bancada porque alguns dos integrantes eram contra o gesto.O descontentamento não é maior porque há um alívio na bancada por ter conseguido barrar a indicação de Mozart Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, para a área da educação. O grupo reagiu a este nome por entender que ele não apoiaria pautas que lhe são caras, como o projeto Escola Sem Partido e o compromisso de barrar qualquer conteúdo sobre identidade de gênero nos currículos escolares. A bancada defendeu o nome do procurador Guilherme Schelb para a área, mas aceitou de bom grado a escolha pelo filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodriguez.Além da polêmica relativa aos nomes ignorados para a pasta da Cidadania, há em setores da bancada a sensação de que Bolsonaro errou ao deixar o senador Magno Malta (PR-ES) sem nenhuma pasta. Apesar de evangélico, Malta não tem articulação forte com os colegas parlamentares, mas havia uma expectativa de que ele tivesse alguma função. Takayama evita polemizar e ressalta que se o senador vier a ter alguma função no governo seria por mérito próprio e não por indicação do grupo.
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