Conheça a trajetória de João de Deus, médium acusado de abuso sexual por 12 mulheres


RIO – João Teixeira de Faria, o João de Deus, acumula seguidores, muitos deles políticos e celebridades nacionais e estrangeiros, mas também polêmicas, na sua atuação como médium. Apadrinhado por Chico Xavier, ele mantém o hospital espiritual Casa de Dom Inácio na pequena cidade de Abadiânia (GO) desde 1976. Antes de fundar a Casa, João peregrinava pelo país fazendo cirurgias espirituais.Em uma digitalização entregue pelo próprio médium à reportagem de O GLOBO, é possível ler a carta escrita de próprio punho e assinada por Chico Xavier em 1993: “Prezado João, caro amigo, Abadiânia é o abençoado recinto de sua iluminada missão e de sua paz”. Junto ao bilhete, o médium também entregou uma foto na qual um João muito mais jovem recebe uma bênção do mentor espiritual.O motivo da correspondência era porque começaram a surgir, naquele ano, complicações em torno da atuação do médium. Na época, João foi alvo de denúncias de exercício ilegal da medicina.Pouco depois, ele também foi acusado de sedução de uma menor de idade, crime pelo qual foi absolvido por falta de provas. Também pairam sobre o médium acusações de atentado ao pudor, contrabando de minério e até assassinato.Nascido no vilarejo de Cachoeira da Fumaça (GO), João diz ter despertado para sua mediunidade aos 9 anos. É o mais novo de seis filhos, de pai alfaiate e mãe dona de casa. Frequentou a escola apenas até o equivalente ao segundo ano do ensino fundamental, diz não saber ler nem escrever. Trabalhou como alfaiate, minerador e ceramista. Vive em Anápolis, a 40 quilômetros de Abadiânia.Tem 11 filhos, cada um com uma mulher diferente. Nenhum deles trabalha na Casa. Alguns são evangélicos, João afirma que há um respeito mútuo pelas diferenças religiosas na família. Também diz que não espera ter um substituto na liderança do hospital espiritual.O braço direitoNa Casa Dom Inácio de Loyola, fundada há 42 anos, quem não sai do seu lado é Chico Lobo, que já foi vice-prefeito de Abadiânia. Gerente geral da Casa, é comumente visto andando pelo terreno usando roupas sociais brancas, um anel que dá três voltas em seu dedo anular esquerdo, três pulseiras no pulso direito, um relógio no pulso esquerdo, e um largo anel na mão direita que traz a imagem de São Jorge, tudo dourado. Chico é o ponto de referência para os frequentadores, funcionários e voluntários. É à sua sala, logo na entrada da Casa, que vão os guias, os recém-chegados, as pessoas com dúvidas sobre o tratamento e até aqueles atrasados que não conseguiram pegar uma ficha de atendimento. Também é dono de vendas posicionadas ao longo da rua que conecta o hospital espiritual à estrada que corta a cidade. Seu principal empreendimento é a loja de roupas brancas mais próxima da casa ecumênica.Antes dele, porém, o grande assessor e amigo pessoal de João era Hamilton Pereira, atual diretor financeiro da casa. Ele era prefeito de Abadiânia quando o médium resolveu construir ali seu hospital, na década de 70, e ajudou nos primeiros passos do estabelecimento.Hoje ele fica responsável pela livraria, onde são vendidas todas as lembranças oficiais da Casa. Convidado para uma entrevista, ao telefone, ele se desculpa e explica que deixaria o contato com a imprensa para Chico e Edna Gomes, a assessora, “para evitar atritos” com o patrão e amigo.
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