Congresso de Geriatria terá atividade para não especialistas

“Queremos compartilhar ao máximo as informações”, afirma presidente da SBGG Médico fala sobre expectativas para congresso internacional de geriatria
O XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia acontece de 6 a 8 de junho, no Rio de Janeiro, e deve atrair cerca de 3 mil participantes. O evento pretende traçar um painel bem abrangente das questões que envolvem o envelhecimento, cobrindo de alimentação e exercícios para garantir saúde e qualidade de vida a finitude.
Uma das iniciativas mais interessantes deste ano será uma atividade, durante os três dias, voltada para não geriatras. O motivo é simples: o Brasil já tem 30 milhões de velhos e não há especialistas em número suficiente para dar conta dessa população.
“A Organização Mundial da Saúde recomenda que haja um geriatra para cada mil idosos. No entanto, o Ministério da Saúde estima que o país tenha 3 mil, um décimo do que seria necessário. Há cardiologistas, pneumologistas e neurologistas, entre outros, interessados em entender melhor o perfil desse paciente e queremos compartilhar ao máximo as informações”, afirma José Elias Soares Pinheiro, presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).
Ao chegar aos 70 anos, o que é cada vez mais frequente entre os brasileiros, é comum que o idoso tenha três ou quatro doenças crônicas. Ao geriatra cabe o gerenciamento desse paciente, como explica o doutor José Elias: “há casos de pessoas que chegam a tomar 20 medicamentos prescritos por quatro ou cinco médicos diferentes. A interação dessa medicação pode inclusive trazer efeitos adversos, por isso o geriatra deve articular o tratamento com os demais especialistas”.
A ciência tem muito a aprender sobre os mais velhos, até porque os ensaios clínicos normalmente são feitos com indivíduos abaixo dos 60 anos: “como os idosos têm mais de uma doença crônica, fica mais difícil isolar e avaliar a eficácia de substâncias para uma única enfermidade, mas vem crescendo o número de estudos observacionais dessa população. Estamos aprendendo com a longevidade”, acrescenta.
José Elias Soares Pinheiro, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Mariza Tavares
Para o geriatra, os “novos velhos” já estão mais conscientes sobre a importância de ter hábitos saudáveis. Além da prática regular de exercícios, o doutor José Elias enfatiza a relevância de manter a mente ativa: “a aposentadoria precoce, se não for acompanhada de um projeto de vida, de um propósito para aquelas décadas que ainda se tem pela frente, pode acabar levando a um quadro de depressão e de declínio cognitivo”.
Entre os convidados internacionais, estão Frank D. Ferris, referência em cuidados paliativos, e o médico canadense Kenneth Shulman, criador do “teste do desenho do relógio”, capaz de detectar sinais iniciais de demência quando se pede ao paciente para desenhar um relógio com todos os números das horas e, em seguida, marcar uma hora específica.
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