Como 'Bum bum tam tam', de MC Fioti, se tornou o 1º clipe brasileiro a alcançar 1 bilhão de views no YouTube

Clipe que acaba de alcançar marca inédita no país custou R$ 30 mil e foi feito às pressas. ‘Coisa pequena que virou grande’, diz Fioti. Conheça história do hit com flauta de Bach e clipe de Kondzilla. MC Fioti
Fabio Tito / G1
A música pop brasileira tem finalmente um bilhão para chamar de seu. “Bum bum tam tam”, funk de MC Fioti com vídeo produzido pela Kondzilla, se tornou o primeiro clipe de um artista brasileiro com 1 bilhão de acessos no YouTube.
Lançado no dia 8 de março de 2017, o vídeo alcançou a marca inédita com 18 meses de audiência alta entre o púbico nacional e de outros países que ouvem cada vez mais funk brasileiro.
O sucesso contou mais com a popularidade do funk e a vitrine da Kondzilla do que com a indústria fonográfica tradicional. O vídeo custou R$ 30 mil. Sem tocar em rádio nem ter Fioti como celebridade nacional, o hit contou mesmo com o YouTube como vitrine, onde superou produções mais caras e artistas mais famosos.
O G1 já contou a história da faixa: toda gravada e produzida por Fioti, paulista de 23 anos, à partir do sample de uma peça de flauta composta por Bach por volta de 1723, em registro que ele achou por acaso na internet.
Anatomia do ‘Bum bum’
O clipe também tem origem inesperada. Mesmo com selo da Kondzilla, produtora de vídeos de funk com o maior canal do YouTube no Brasil, era difícil imaginar que “Bum bum tam tam” iria tão alto.
O vídeo foi feito em cima da hora. O escritório RW havia marcado a data com a Kondzilla para gravar um clipe do MC Don Juan.
Don Juan rompeu com a RW na véspera. Eles passaram o espaço a outro artista do seu elenco: Fioti.
Ele tinha outras faixas já mais conhecidas, mas a RW apostou em “Bum bum tam tam”, que tinha acabado de sair nas redes.
A música foi decidida na noite anterior à gravação. Tiveram poucas horas para planejar e arrumar o material de produção.
Para completar, tiveram que trocar o local de gravação, que acabou feita na área externa da casa da produtora RW.
“Na hora que decidiram, saímos correndo atrás de tudo. Arrumamos a lâmpada, pedi para um amigo ser a múmia e enrolamos ele todo. Foi tudo de última hora e ficou perfeito. Uma coisa pequena que virou grande. Olho para trás e vejo o que aconteceu, é coisa de Deus mesmo”, diz Fioti.
“Na época, o Fioti estava com uma música com o MC Pikachu (“Vai toma”, de novembro de 2016), mas ainda não tinha um grande hit solo. Ele estava esperando uma chance de subir para o ‘esquadrão de elite’ do funk”, lembra Wagner Magalhães (o Vavá citado por Fioti no verso “tipo Vavazinho”), diretor artístico da RW.
Perfil: MC Fioti
“Quando colocamos ele no horário do Don Juan, a gente tinha 24h para decidir a música. Tinham opções, mas eu resolvi testar e colocar ‘Bum bum tam tam’, só o áudio mesmo, no YouTube. Em poucas horas teve 150 mil views. Aí foi ela. Isso foi meia-noite e a gravação seria ao meio-dia seguinte”, lembra Vavá.
Eles decidiram brincar com elementos árabes (puxados pela “flauta envolvente” da música, mesmo sendo de autor alemão). Foram cerca de 10 horas de gravação na casa da RW, com cenas complementares no Parque Ceret, na Zona Leste de São Paulo.
Aladim instantâneo
“Pensamos em fazer o harém, colocamos dança do ventre, e queríamos um Aladim. Só que a gravação já tinha começado e a loja de fantasias fechava às 18h. Saímos correndo, conseguimos no último minuto, a tempo de entrar no vídeo”, conta o diretor da RW.
E olha que o Aladim que quase não entrou é importante no roteiro. É ele quem concede o desejo a Fioti (o que o torna mais um Gênio, na verdade) e dá a flauta encantada que ele usa para ir ao parque, tocar o som envolvente para várias mulheres e voltar ao harém para a festa.
MC Fioti no clipe de ‘Bum bum tam tam’, com o Alladin de fantasia alugada de última hora ao fundo
Divulgação
Vavá diz que o clipe custou R$ 30 mil, valor que não é baixo para o padrão da RW, mas também não foi o mais caro que já fizeram. A Kondzilla também já teve várias produções mais caras.
“Muito da graça do trabalho, tanto da música quanto do clipe, vem da autenticidade”, diz Renato Martins, editor-chefe do site Kondzilla.com.
Trinta dias após a gravação, o clipe entrou no canal da Kondzilla no YouTube. “Fomos acompanhando e cresceu de forma exponencial”, conta Renato. Aos poucos, viram acessos além do Brasil – e nem só de países mais próximos. “Virou um viral na Indonésia”, ele lembra.
A tal “flauta envolvente” cumpriu o que prometeu. “A música tem uma produção limpa, sonoridade bonita, que agrada a todo mundo”, descreve Renato.
Show do bilhão
Em dezembro, saiu um remix trilíngue, com o colombiano J Balvin, o rapper dos EUA Future, a britânica Stefflon Don e o espanhol Juan Magán. O sucesso internacional foi potencializado – mas a maioria dos acessos ficou mesmo na versão original só em português.
A curva de acessos mostra dois picos: um, em maio de 2017, quando 93% da audiência era brasileira. Outro, ainda mais alto, foi em janeiro de 2018. Neste período o cenário era inverso: 13% de acessos brasileiros e 87% do resto do mundo. Veja o gráfico com a dupla explosão – primeiro nacional, depois global:
Após o lançamento do remix trilíngue, Fioti já fez duas turnês pela Europa. Em Londres, ele dividiu o importante palco da 02 Acadamy com J. Balvin. “Hoje temos uma situação diferente em que o cachê dele é maior no exterior do que no Brasil”, diz Vavá.
“‘Bum bum tam tam’ foi um marco da história do funk. Não foi só para a carreira do Fioti. Conseguimos levar uma música popular brasileira para o mundo. Passamos a ser vistos por grandes gravadoras mundiais, por artistas internacionais”, diz Vavá.
Fioti se prepara para lançar o single “Rala rala” no dia 20 de setembro, já com a carreira e a vida totalmente diferentes. “Viajei o mundo, conheci gente como o J. Balvin e o Jason Derulo, consigo me sustentar, moro com minha mulher (a MC Bella) e consigo ajudar minha mãe”, ele diz.
10 clipes brasileiros mais acessados no YouTube:
MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (março/17) – 1 bilhão
Michel Teló – “Ai Se Eu Te Pego” (julho/11) – 836 milhões
MC Kevinho – “Olha a Explosão” (dezembro/16) – 757 milhões
Simone & Simaria com Anitta – “Loka” (janeiro/17) – 585 milhões
Maiara & Maraisa – “Medo Bobo” (agosto/15) – 477 milhões
Zé Neto e Cristiano – “Largado às traças” (janeiro/18) – 456 milhões
MC Kevinho – “O Grave Bater” (março/17) – 451 milhões
Marília Mendonça – “Infiel” (julho/15) – 450 milhões
Maiara & Maraisa – “10%” (julho/15) – 436 milhões
Marília Mendonça – “Eu Sei De Cor” (outubro/16) – 428 milhões
Quem será o próximo?
Não dá para dizer que o sucesso de “Bum bum tam tam” passou. O clipe continua com uma média de 1,3 milhão de visualizações por dia no YouTube.
É o segundo maior índice diário entre o top 10 acima, atrás de “Largado às traças”, de Zé Neto e Cristiano, visto 1,9 milhão de vezes ao dia. Nesta velocidade, a dupla é a maior candidata a ter o próximo clipe brasileiro de 1 bilhão – mas provavelmente só em 2019.
Outro bilhão recente é de “La la la (Brazil 2014)”, de Shakira. A música tem participação de Carlinhos Brown, mas não dá para dizer que é um clipe brasileiro. É o mesmo caso de “Corazón”, com participação de Nego do Borel, mas encabeçado por outro astro da Colômbia, Maluma.
E no mundo?
A marca bilionária não é tão rara no mundo. Há mais de 100 clipes acima deste número. O primeiro foi “Gangnam style”, do sul-coreano Psy, em 2012. Veja o ranking global:
Luis Fonsi – “Despacito” ft. Daddy Yankee – 5,5 bilhões
Ed Sheeran – “Shape of You” – 3,79 bilhões
Wiz Khalifa – “See You Again” ft. Charlie Puth 3,75 bilhões
Mark Ronson – “Uptown Funk” ft. Bruno Mars 3,2 bilhões
PSY – “Gangnam style” – 3,2 bilhões
Justin Bieber – “Sorry” – 3 bilhões
Maroon 5 – “Sugar” – 2,7 bilhões
Taylor Swift – “Shake It Off” – 2,64 bilhões
Katy Perry – “Roar” 2,62 bilhões
Enrique Iglesias – “Bailando” 2,5 bilhões
“Bum bum tam tam” está atualmente em 124º lugar neste ranking global, mas ainda deve ganhar posições, já que o índice diário de crescimento é maior que da maioria dos vídeos no Top 100.
MC Fioti em Londres, durante turnê na Europa em janeiro de 2018
Divulgação / Facebook oficial do cantor
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