Com menos de 3% dos selecionados no Mais Médicos trabalhando, governo vai disparar ligações aos inscritos



BRASÍLIA – Menos de 3% dos 8,3 mil selecionados para o Mais Médicos
se apresentaram ao local de trabalho. São apenas 230 médicos que já
estão nas cidades onde atuarão, segundo balanço atualizado. Para evitar
desistências em massa, o Ministério da Saúde vai fazer a partir
desta quinta-feira um mutirão de ligações para os profissionais pedindo que
antecipem a ida aos municípios ou que desistam de imediato caso não queiram o
emprego naquele local.Além do risco de não comparecimento, gestores alertaram a pasta que ao menos
2.844 médicos inscritos no programa estão saindo de equipes de Saúde da Família
da rede municipal, atraídos por vantagens do Mais Médicos – o que abrirá novas
frentes de desassistência nos postos abandonados. O número de profissionais
“migrando” representa 34% dos 8,3 mil médicos já selecionados, mas foi calculado
em uma base de 7.271 nomes disponibilizados no balanço da última
segunda-feira. Adeilson
Cavalcante, secretário-executivo do Ministério da Saúde, afirmou aos gestores
que será preciso um “processo de acomodação” e anunciou medidas para acelerar o
início dos trabalhos e evitar seleções frustradas. – Vamos ligar para cada médico para pedir que antecipem a ida aos
municípios – disse Cavalcante.- Aqueles que desistirem que o façam de imediato junto ao gestor. Ficou acertado que será instalada uma “sala de situação” no prédio do
Ministério da Saúde, em Brasília, para que os gestores municipais acompanhem os
desdobramentos da seleção. O governo vem apontando a adesão ao Mais Médicos como
um grande sucesso, com preenchimento de mais de 97% das vagas deixadas pelos
cubanos em menos de uma semana, mas prefeitos e secretários têm dúvidas quanto à
efetiva ocupação dos postos por conta da resistência dos profissionais a irem
para locais de difícil acesso. As vagas remanescentes serão abertas em um segundo edital para médicos
formados no exterior que não tenham diploma validado no Brasil. A seleção atual
é apenas para os profissionais com registro no país — ou porque se formou aqui
ou porque passou no teste brasileiro de revalidação do título da graduação. Os
editais foram lançados emergencialmente após Cuba romper o termo de cooperação
com Brasil, atribuindo a decisão a declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro.
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