Com estrutura inédita no futebol, Atlético-PR se prepara para virar SA

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Vitória por 2 a 1 em casa, empate por 2 a 2 fora, e o Atlético-PR eliminou o São Paulo na Copa do Brasil. No Brasileirão, o time rubro-negro ocupa as primeiras colocações com resultados chamativos – goleada na estável Chapecoense, empate com o atual campeão sul-americano Grêmio. O desempenho esportivo jogou luz sobre o trabalho de Fernando Diniz, contratado no início do ano para comandar a equipe paranaense, agora perfilado por jornais e tevês do resto do país e tido como principal responsável pela ascensão. Na realidade, há mais. O bom futebol do Atlético-PR é produto de uma inédita e recém-reformulada estrutura administrativa.

A começar pelo futebol. Tradicionalmente, o departamento que o rege é encabeçado por presidente e vice estatutários – portanto, não remunerados. Abaixo deles, há um diretor de futebol, um técnico e a sua comissão, composta por preparação física, fisiologia e fisioterapia, nutrição, e todas as outras especialidades correlatas. No Atlético-PR, desde o início de 2018, não funciona mais assim. O futebol passou a ser administrado por duas coordenadorias. A primeira, de performance, elabora toda a parte teórica e faz o planejamento a ser seguido pelo clube. A segunda, chamada internamente de “linha”, executa as ideias traçadas pela primeira.

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Este novo organograma mudou toda a maneira como se faz futebol no Atlético-PR. Sobretudo porque o técnico deixa de ser uma figura soberana, dotado de autonomia para mudar mundos e fundos por conta própria, e passa a ser uma engrenagem dentro de um sistema mais sofisticado. Fernando Diniz, óbvio, participa dos trabalhos e das decisões dentro das duas coordenadorias. Mas o treinador precisa convencer o restante dos funcionários dos porquês para que a ideia de jogo defendida por ele seja implementada. É como se o clube tivesse, no que tange o departamento, deixado um sistema presidencialista para entrar num parlamentarista.

– O perfil inovador do Diniz coincidiu com a nossa filosofia, de que somos contra sermos mais do mesmo. Agora estamos trabalhando para que, uma vez implementada essa cultura, com a qual estamos trabalhando há só quatro meses, o clube tenha condições de trabalhar da mesma maneira nas categorias inferiores. Desde a aspirante até os meninos de sub-19, sub-17, sub-15 e sub-14. Queremos que isso fique aculturado dentro do clube. Que os meninos, quando chegarem lá em cima, quando forem compor o time principal, saibam como jogar – afirma Mario Celso Petraglia, presidente atleticano, em conversa por telefone com O GLOBO.

Atlético-PR S.A.

A reformulação do departamento de futebol corresponde a uma parte de um processo maior, de profissionalização de toda a administração do Atlético-PR. Em parceria com a consultoria EY, Petraglia tem preparado as áreas da gestão rubro-negra para que, lá na frente, o clube esteja pronto para uma transformação que ninguém conseguiu fazer com sucesso no Brasil: tornar-se uma empresa de fato, uma sociedade anônima. Hoje, assim como quase todos os rivais de primeira divisão, a equipe funciona sob a estrutura societária da associação sem fins lucrativos.

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O lado positivo da transformação em sociedade anônima é que, como existem leis mais rígidas para esse tipo societário, o mercado passaria a enxergar o Atlético-PR com mais credibilidade. Isso faz toda diferença na hora de captar um empréstimo bancário, ou até mesmo para testar

ferramentas mais complexas do mercado financeiro, como a emissão de debêntures ou a venda de um percentual desta empresa para terceiros. Assim como faz o Bayern de Munique na Alemanha, existiria a possibilidade de ter uma fornecedora, como a Umbro, como sócia.

O lado negativo é que a carga tributária aumenta. Protegidos pelo formato de associação sem fins lucrativos, os clubes hoje estão livres de um imposto que pega empresas em cheio: o INSS sobre a folha de pagamento. O Atlético-PR espera que uma nova lei seja aprovada para que exista uma roupagem de sociedade anônima apropriada para o futebol. Como a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), de autoria dos advogados Rodrigo Monteiro de Castro e José Francisco Manssur, que tramita na Câmara dos Deputados após ter sido proposta em um projeto de lei apresentado pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). Sem esta lei, Petraglia não se arriscará.

– A estrutura sem fins lucrativos vem desde a era Getúlio Vargas e não faz mais sentido no futebol. Precisamos virar SA. Primeiro para o crescimento do futebol brasileiro e a redução da dependência da televisão. Segundo para que tenhamos capital para manter os salários dos jogadores no nível que o futebol tem no mundo. Nós queremos quebrar esse ciclo vicioso de vender os nossos atletas para arrecadar. Se não buscarmos soluções, com a desigualdade que temos diante de Corinthians e Flamengo, teremos problemas sérios no futuro. Não conseguiremos manter o crescimento que nos trouxe até aqui – concluiu o cartola atleticano.


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