Coletes amarelos 'fizeram nascer um monstro', para ministro da França


PARIS — Enquanto Paris se prepara para mais um protesto dos coletes amarelos no sábado, o ministro do Interior francês, Christophe Castaner, disse a jornalistas que o movimento das últimas três semanas fez “nascer um monstro”, em referência a episódios de violência decorrentes das manifestações. O governo enviou 89 mil agentes de segurança para conter as marchas em todo o país, e vem sendo questionado sobre o uso da força para prender dezenas de estudantes escolares após protestos volentos.— Estas últimas três semanas fizeram nascer um monstro, que escapou dos seus genitores — disse Castaner, de acordo com o “Le Monde”, acrescentando que as autoridades esperam que “elementos radicais voltem a se mobilizar” e que há pessoas “ultraviolentas” entre os manifestantes. ColetesExplica1 Nesta sexta-feira, o governo teve que se defender depois que começou a correr nas redes sociais um vídeo no qual 146 jovens, supostamente alunos de ensino médio, foram forçados a se ajoelharem, colocarem as mãos atrás das suas cabeças e usarem algemas quando foram detidos por 70 policiais nos arredores de Paris. Os estudantes vêm de duas escolas de Val Fourre, uma região de difíceis condições sócio-econômicas a 60 quilômetros da capital. As imagens provocaram uma enxurrada de críticas entre internautas. Ao longo da última semana, estudantes vinham bloqueando o acesso a dezenas de escolas secundárias ao redor do país em protesto contra reformas educacionais do presidente Emmanuel Macron. Enquanto isso, os protestos do movimento dos coletes amarelos em diversas cidades francesas das últimas três semanas reclamam dos custos de vida e da recente tentativa do governo de aumentar o preço dos combustíveis. Segundo Castaner, a polícia apenas interveio porque havia bloqueios nas ruas, projéteis foram lançados contra motoristas e casas foram roubadas na área ao redor das duas escolas:— Nos últimos dias, se juntaram aos estudantes cerca de cem jovens encapuzados, armados com tacos e dispositivos incendiários, determinados a criar uma briga com a polícia. Foi neste contexto que as forças de segurança agiram. videoestudantesPreparação para ‘quarto ato’Com os coletes amarelos convocando manifestantes nas redes sociais para o que chamam de “quarto ato” — um quarto fim de semana seguido de protestos —, o primeiro-ministro, Édouard Philippe, anunciou a mobilização dos 89 mil policiais em todo o país, numa medida para evitar confrontos violentos, como os que ocorreram no último fim de semana em Paris, quando os amotinados incendiaram carros e saquearam lojas da famosa Avenida Champs Elysées.Na quarta-feira, Philippe já havia alertado que “a segurança dos franceses e das instituições estão em jogo”, referindo-se aos protestos dos coletes amarelos — manifestantes apartidários e dos mais diversos stores da sociedade, como estudantes e trabalhadores, que assim são chamados por vestirem os trajes amarelos dos kits de emergência obrigatórios aos motoristas na França.O Palácio do Eliseu informou, ainda na quarta-feira, que teme “uma grande violência” nas manifestações convocadas para o próximo sábado, mantidas mesmo após o governo recuar e retirar o imposto carbono da lei orçamentária de 2019. A taxação, criada para encarecer o diesel e forçar uma redução de seu uso no país (por ser mais poluente que outros combustíveis), é o alvo central dos coletes amarelos que vêm se mobilizando desde meados de novembro.Buscando contornar a crise no país após semanas de distúrbios civis, o governo fez concessões nesta semana, como a retirada do imposto do orçamento de 2019. Mas o movimento, descentralizado e organizado sobretudo pelas redes sociais, classificou a resposta como “migalha” e manteve a pressão sobre o governo Macron.Apesar da violência que dominou as manifestações, 72% dos franceses continuam apoiando os coletes amarelos, segundo pesquisa da Elabe publicada nesta quarta-feira, e 78% acreditam que os anúncios do governo não são suficientes.Dias depois dos protestos em Paris no último fim de semana — tidos como o maior distúrbio na capital francesa desde 1968, segundo autoridades —, tudo indica que o governo não conseguiu conter a revolta, com os coletes amarelos ganhando mais adesões. Na quarta-feira, a Federação Nacional dos Sindicatos Agrícolas (FNSEA) anunciou seu apoio ao movimento e informou que estará nas ruas engrossando os protestos marcados para este sábado.Uma repetição da violência vista no último fim de semana no centro de Paris, com pichações anti-Macron na região do Arco do Triunfo, veículos incendiados e vitrines destruídas pela cidade, seria um duro golpe para a economia e levantaria dúvidas sobre a sobrevivência do governo.O primeiro-ministro disse que o Estado fará o possível para manter a ordem. Pelo menos quatro partidas de futebol da primeira divisão foram canceladas e vários museus, e o governo fechará a Torre Eiffel, símbolo do país. Também pediu ao Louvre, principal museu da França, e ao comércio da capital que feche as portas.Estudantes queimam carros em protesto contra reformas na França
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