Colecionador diz que comprou gravuras de Bauch em Londres

23055329.04.jpg.jpgSÃO PAULO – Em 2005, o colecionador Ruy Souza e Silva vendeu ao Itaú Cultural oito gravuras de Emil Bauch que estavam incluídas no volume “Souvenirs de Pernambuco”, composto de 12 pranchas impressas na Europa em 1852. Em entrevista ao GLOBO, Souza e Silva diz que comprou as obras em uma visita à loja londrina Maggs Bros., cujos funcionários não sabiam do que se tratavam. O colecionador, que foi casado com Neca Setubal e foi genro do banqueiro Olavo Setubal, também acusa Laéssio de tentar extorquí-lo em cerca de R$ 5 milhões. Leia a íntegra da entrevista

O senhor diz ter comprado as oito gravuras de Emil Bauch na loja britânica Maggs Bros., em 2004. Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, fala que eles não sabiam da autoria, mas o senhor as reconheceu como sendo do artista. Como ficou sabendo da existência das obras e que estavam à venda na loja londrina?

Na ocasião estava em Londres, a trabalho, e passei para visita-los, como sempre o fazia quando lá me encontrava. Foi quando ofereceram-me essas gravuras que não sabiam identificar. Essas peças não tinham sido anunciadas nem encontravam-se relacionadas em nenhum dos seus catálogos de venda.

As gravuras são obras múltiplas e pode haver mais cópias em circulação do livro em que estavam inseridas. Havia dois no Brasil. Sabe se há mais cópias em circulação?

Gilberto Ferrez, nosso maior especialista em iconografia brasileira, na página 7 do seu livro “O Recife de Emil Bauch – 1852”, esta sendo a única referência existente dessas gravuras, já identificava, em 1984, um total de treze conjuntos dessas gravuras em coleções no país, a saber:

Biblioteca Nacional (completa)

Museu do Estado de Pernambuco (completa, mas duas das gravuras são copias a guache dos originais)

Biblioteca do Itamaraty (completa)

Coleção do príncipe D. Pedro Gastão de Orleans e Bragança (completa)

Coleção Mário Pimenta Camargo (completa)

Coleção Candido Guinle de Paula Machado (completa)

Coleção da Viúva Coronel Cândido Torres Guimarães (com onze gravuras)

Museu Imperial, em Petrópolis (com três gravuras)

Coleção Ian de Almeida Prado, em São Paulo, hoje no IEB (com sete e oito gravuras)

Coleção Paul John (?) (com quatro gravuras)

Coleção Paulo Geyer (com dez gravuras)

Coleção do autor (Gilberto Ferrez) (com oito gravuras)

Coleção Newton Carneiro, em Curitiba (com onze gravuras).

Portanto acima estão relacionadas um total de 134 gravuras que Gilberto Ferrez listou na época da sua pesquisa (1984), que se encontravam espalhadas em treze coleções em instituições e coleções particulares no país. Ferrez não relacionou as muitas outras que poderiam ainda existir em coleções no exterior.

Existe algum meio de saber, pela loja londrina, a origem das gravuras que lhe foram vendidas? Isso é possível no ato da compra?

Não posso responder pela loja londrina. Da minha parte, posso lhe afiançar que na ocasião essas gravuras foram cuidadosamente examinadas e não apresentavam nenhum sinal de identificação de proveniência. Se eu tivesse a menor desconfiança de que elas pudessem ter pertencido a uma instituição não as teria adquirido.

O senhor diz ter sido vítima de chantagem por parte de Laéssio, que teria lhe enviado cartas ameaçando revelar que as obras citadas eram suas. O que ele pediu em troca?

Em troca Laéssio solicitou documentadamente R$ 5,5 milhões para suportar a quadrilha que chefiou. É necessário registrar que Laéssio é um criminoso contumaz e várias vezes condenado a um total de 22 anos de reclusão em regime fechado. Ele tem pavor de ser esquecido. Tanto o filme “Cartas para um ladrão de livros” quanto a atenção que a mídia lhe dedica é tudo que Laéssio deseja. Ele quer que sua história lamentável de o maior ladrão de livros do país seja glamourizada.

O senhor move um processo por calúnia contra Laéssio. Por quê e em que ponto está a ação?

Como disse em entrevista à “Folha de S. Paulo”: estou movendo uma queixa crime por calúnia contra Laéssio. Recebi várias cartas manuscritas dele ameaçando me chantagear dizendo que vai revelar à imprensa que peças que ele furtou fazem agora parte de importantes acervos, ameaça que cumpriu ontem com carta ao jornal. O processo que movo contra Laéssio aguarda julgamento em primeira instancia. Nesse ínterim, em 2017, Laéssio foi pego (filmado pelas câmeras de segurança) roubando duas bibliotecas públicas (FAU e Faculdade de Direito, ambas da USP) e no momento encontra-se preso preventivamente na penitenciária de Japeri, RJ, condenado a 10 anos e 7 meses pelo roubo perpetrado em 2004 no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Foi também condenado pelo roubo no Palácio do Itamarati a pena de reclusão de 5 anos em regime fechado e ao pagamento de reparação de danos de R$ 1.455.000. É bom que fique preso por longo tempo pois não perde oportunidade de gabar-se que se for solto voltará a cometer crimes semelhantes às dezenas que já praticou.


Leia a notícia completa em O Globo Colecionador diz que comprou gravuras de Bauch em Londres

O que você pensa sobre isso?