Clubes cariocas têm ações para proteger meninos da base de assédio

INFOCHPDPICT000012403921Clube mais popular do país, o Flamengo viu surgir, em 2010, um escândalo de exploração em suas categorias de base. Denunciado por uma pessoa de dentro do rubro-negro, um funcionário, que já deixou o clube, foi acusado de pagar a um atleta para abusar dele. O caso foi parar na polícia. A família do menino, contudo, não quis denunciá-lo. Apesar disso, o episódio deixou um legado no Ninho do Urubu.

O Flamengo possui uma estrutura que permite a fiscalização e o combate a este tipo de crime. As categorias de base têm assistente social, coordenadora pedagógica e dois psicólogos, que atendem aos jovens e a seus pais. Além disso, quatro monitores se revezam nas áreas comuns do alojamento, que ainda conta com câmeras de vigilância.

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Para evitar ficarem marcados por um escândalo, os outros grandes clubes também se preocupam com a prevenção e o combate ao abuso sexual. No Botafogo, além de um corpo de profissionais das áreas de psicologia e assistência social, há palestras voltadas para o tema. “Ainda há, inclusive, diante dos acontecidos na sociedade esportiva, um projeto de institucionalização de um seminário anual para dar ênfase e tratar com exclusividade sobre o assunto”, informa o clube.

PARCERIA COM A OAB

O Fluminense, que diz nunca ter registrado nenhum caso do tipo, investe mesmo no número de funcionários. Segundo o clube das Laranjeiras, Xerém conta com quatro psicólogos e quatro assistentes, a maior equipe dos grandes cariocas. Já o Vasco promoveu, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio, o evento Dia do Internauta Consciente. Realizado há dez dias, promoveu uma série de palestras para os atletas da base e do futsal. Entre os temas abordados, a pedofilia na internet. De acordo com o clube, haverá nova palestra sobre este tema em junho.

abusoEspecialistas alertam para a necessidade de conscientizar às crianças e adolescentes sobre a importância de denunciar casos de abuso sexual. E também para o fato de que suas acusações precisam ser levadas a sério pelos adultos.

— Os jovens, muitas vezes, se calam. Porque não querem decepcionar os pais, o treinador e nem a eles mesmo. Pois não admitem que o sonho e as esperanças que depositam no futebol sejam abaladas por um caso como este — analisa Sônia Eva Tucherman, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, que enaltece a importância de psicólogos e assistentes sociais voltados exclusivamente para as categorias de base.

— Muitas vezes, o jovem deixa seu estado de origem. Ele é retirado do ambiente familiar e fica sem saída. Quando um caso desses ocorre, ela não tem para onde correr. Esses profissionais representam um adulto em quem elas podem confiar na ausência dos pais.

SILÊNCIO NA CBF

Reportagem do GLOBO mostrou ontem que, diferentemente dos clubes do Rio, a CBF pouco fez no combate ao assédio sexual no futebol. Em 2014, a entidade se comprometeu, na CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a adotar dez medidas, mas cumpriu apenas três: a qualificação de profissionais na área de atuação preventiva, o apoio a campanhas educativas e a criação de um canal para receber denúncias. Procurada pela reportagem, a entidade prometeu responder perguntas e enviadas por e-mail e enviar uma relação de de ações feitas. Mas não o fez.


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