Claudette Soares e Alaíde Costa harmonizam bossas e estilos com exuberância no primeiro álbum das cantoras em dupla


Os caminhos das cantoras cariocas Alaíde Costa e Claudette Soares se cruzaram com o da Bossa Nova ainda na década de 1950, mas sobretudo nos anos 1960, quando ambas tingiram o cinza da cidade de São Paulo (SP) com os tons leves da bossa carioca em shows feitos na noite paulistana. Ali, nos escurinhos das boates de Sampa, foi alicerçada uma amizade iniciada na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ) e reiterada no primeiro disco em dupla das cantoras.
Mais do que os 60 anos da Bossa Nova, o disco ao vivo ora lançado pela gravadora Kuarup – com o registro do show produzido por Thiago Marques Luiz e captado em 23 de março deste ano de 2018 – celebra as seis décadas dessa amizade nem sempre evidente na mídia, mas real, sólida como as trajetórias dessas duas cantoras que percorreram outros caminhos além da via da Bossa.
Capa do disco ‘Claudette Soares & Alaíde Costa – 60 anos de Bossa Nova’
Murilo Alvesso
Antes de aderir à revolução musical deflagrada por João Gilberto em 1958, Claudette atravessou quase todos os anos 1950 com o epíteto de Princesinha do baião cunhado por ninguém menos do que o rei do gênero, Luiz Gonzaga (1912 – 1989). Já Alaíde é cantora desde sempre habilitada para seguir (também) pelos trilhos da canção romântica de tom mais sentimental, sustentada com peso inexistente no cancioneiro arejado da Bossa Nova.
Orquestrado sob a direção musical do pianista Giba Estebez, o álbum ao vivo Claudette Soares & Alaíde Costa – 60 anos de Bossa Nova ignora o baião, mas também transita por esse trilho sentimental, sobretudo em músicas soladas por Alaíde como Morrer de amor (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, 1965) e Sem você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959).
As cantoras Claudette Soares e Alaíde Costa fazem duetos em ‘Dindi’ e em ‘Ilusão à toa’
Divulgação / Murilo Alvesso
Há climas de Bossa Nova em alguns solos de Alaíde, sobretudo no samba Outra vez (Antonio Carlos Jobim, 1954). Contudo, quem cai realmente com bossa no show é Claudette Soares. Com leveza e suingue que desmentem os 81 anos que irá em festejar em outubro, Claudette acompanha o ritmo ágil do samba Crediário do amor (Theo de Barros, 1964) – uma das duas músicas menos conhecidas no roteiro pavimentado basicamente por standards – e, sem perder pique e velocidade, desliza nas águas d’O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1951) e cai com ginga jovial no samba Vem balançar (Walter Santos e Tereza Souza, 1969), outra joia rara do repertório do disco.
O set individual de Claudette justifica o título do álbum. Mas seria injusto minimizar a participação de Alaíde, cantora que completará 83 anos em dezembro, nesse disco que se justifica sobretudo pela união das duas cantoras.
Claudette Soares e Alaíde Costa
Divulgação / Murilo Alvesso
Ambas estão majestosas e harmonizam estilos com exuberância nos duetos feitos em Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959), Ilusão à toa (Johnny Alf, 1961) e Minha saudade (João Donato, 1955, com letra de João Gilberto, 1959) no show captado no Teatro Itália, no coração de São Paulo (SP), cidade em que, nos anos 1960, as cantoras se tornaram espécies de embaixadoras da carioca Bossa Nova, como lembra o jornalista Renato Vieira em texto escrito para o encarte da edição em CD deste disco ao vivo tão oportuno quanto exuberante. (Cotação: * * * *)

Editoria de Arte / G1
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