Classificação do Fluminense teve contornos que amenizam traumas passados

Houve requintes de crueldade nas duas finais em que a LDU venceu o Fluminense, na Libertadores de 2008 e na Sul-Americana de 2009. Em ambas, o tricolor experimentou o sabor de uma antológica reação num Maracanã lotado, mas viu a chance de fazer história escapar. É verdade que o duelo desta quinta-feira não tinha o peso de uma final, mas o Fluminense fez a LDU sentir o gosto amargo de uma decepção num jogo que parecia sob controle.

Por quase todos os 90 minutos, o Fluminense descumpriu cada página da cartilha dos jogos na altitude. Sofreu os dois gols que o eliminavam, até ver Pedro, a quatro minutos do fim, marcar o da classificação. Apesar da derrota por 2 a 1, o gol como visitante salvou o Fluminense em Quito. Dois Fla-Flus decidirão quem vai à semifinal da Copa Sul-Americana.

É verdade que os 2.850 metros de altitude de Quito condicionam todas as avaliações: desde os erros técnicos até os espaços defensivos que o Fluminense concedia, já que o físico comprometido limita os outros aspectos do jogo. Mas também é fato que o Fluminense não conseguiu fazer com que jogo tivesse um andamento que lhe interessasse diante de um rival tecnicamente muito pouco dotado.

Desde o primeiro tempo, ignorou solenemente as tradicionais recomendações de segurar a bola, evitar ter que correr atrás do adversário, ter um mínimo de controle. Para piorar, marcava muito mal. Acabou sendo salvo pela falta de qualidade da LDU na hora de definir as jogadas.

A questão foi ligeiramente amenizada no fim do primeiro tempo, quando Abel Braga fez uma modificação de posicionamento. Diante da sucessão de manobras dos equatorianos pelo centro e pela esquerda da defesa tricolor, tirou Wendel do setor esquerdo e o colocou junto a Orejuela e Douglas, para fortalecer o meio. Scarpa passou a jogar pelo lado.

Antes disso, Barcos, com sua mobilidade aparentemente comprometida aos 33 anos, demorara a definir alguns lances, o que evitara o gol da LDU. Nogueira salvou um chute perigoso do atacante, antes de Narváez cabecear uma bola que cruzou toda a área. O Fluminense era uma tragédia defensiva. Tivera a primeira sensação de gol, é verdade: logo aos dois minutos, numa cobrança de lateral de Léo e cabeçada de Peu no travessão. Mas foi só.

A mudança tática não resolveu todo o problema, mas o Fluminense ganhou um pouco mais de respiro ao conseguir, minimamente, segurar mais a bola. Wendel, conforme crescia no jogo, tirava o time um pouco de trás. Mesmo assim, Lucas ainda salvou um chute de Cevallos que, na volta, obrigou Júlio César a mais uma defesa difícil.

PÊNALTI NÃO MARCADO

Abel fez mais mudanças no segundo tempo. Uma, de nome: Peu por Pedro. Na outra, colocou Wellington pela esquerda, passando Scarpa para a direita. Adiantou muito pouco. Cada desarme tricolor era seguido de uma bola longa que, isolado entre os zagueiros, Pedro não tinha como segurar. Era questão de tempo. Entre os 12 e os 15 minutos, duas jogadas pela esquerda da defesa tricolor, onde Léo fez péssimo jogo, resultaram nos gols: Barcos, de cabeça, e Cevallos.

Abel tentou dar fôlego ao time, embora faltasse também calma para reter a bola. Altitude e juventude do time se misturavam numa receita fatal. Marlon Freitas substituiu Douglas, e Robinho entrou no lugar de Wellington Silva, que jogara muito mal. Wendel ainda era quem mais levava o time à frente, mas acabaram saindo de Scarpa os lances fundamentais.

Primeiro, sofreu um pênalti não marcado. E, aos 41, quando as esperanças de classificação se esgotavam, bateu o córner que Pedro empurrou para o gol e exorcizou um fantasma, amenizou um trauma. Não era uma final, mas não foi uma classificação qualquer.

Fonte: O Globo Classificação do Fluminense teve contornos que amenizam traumas passados

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