Cientistas defendem que recém-nascidos passem por teste de DNA para doenças


RIO – No berçário do futuro, o teste do pezinho, capaz de diagnosticar algumas doenças congênitas em recém-nascidos, será substituído pelo sequenciamento genético: a partir de uma amostra de saliva do bebê, será possível detectar o risco de desenvolver milhares de doenças, inclusive vários tipos de câncer, tratando-as o quanto antes.Essa é a expectativa dos cientistas britânicos que concluíram nesta semana o Projeto 100.000 Genomas, que sequenciou o DNA de 85 mil pessoas atendidas pelo NHS (o sistema de saúde pública da Inglaterra), entre pacientes com doenças raras e câncer e seus familiares. O total de 100 mil genomas foi atingido porque os pacientes com câncer tiveram também o DNA de seus tumores mapeados.O projeto, iniciado em 2012, foi conduzido pela Genomics England, empresa criada pelo Ministério da Saúde do Reino Unido. Entre os voluntários que tiveram seu genoma mapeado, 4.000 detectaram doenças raras pela primeira vez; outros 5.000 foram diagnosticados com câncer e puderam receber tratamentos mais específicos.Leia mais sobre sequenciamento genético — Atualmente, fazemos o teste do pezinho para detectar nove doenças. Há potencial para investigar muitas mais. A detecção precoce de algumas condições genéticas pode mudar a vida de uma criança — afirmou Mark Caulfield, cientista chefe da Genomics England, em uma entrevista coletiva.O avanço das tecnologias de mapeamento genético abre novas possibilidades para a saúde pública. O sequenciamento do primeiro genoma humano, concluído em 2003, consumiu 13 anos de trabalho e 2 bilhões de libras. Hoje é possível fazer a mesma coisa em 30 minutos, por um preço entre 500 e 600 libras. Segundo a BBC, o próximo passo do projeto é mapear um milhão de genomas no Reino Unido nos próximos cinco anos.— Este é um marco imenso na nossa missão de prover assistência realmente personalizada para ajudar os pacientes a viver vidas mais longas, saudáveis e felizes — afirmou Matt Hancock, secretário de Saúde do Reino Unido. — Estou muito excitado com o potencial que o sequenciamento genético tem de levar à criação de uma nova geração de tratamentos e ao diagnóstico precoce de doenças, permitindo que os pacientes assumam o controle de sua própria saúde.
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