Cerimonialista aprova café da manhã com Danoninho de Bolsonaro e Bolton


Nenhuma toalha, nada de pratos à vista, iogurte para crianças, água de coco e suco em caixinhas e, servido em copos americanos e canecas, café — de acordo com o presidente eleito, preparado por ele próprio. A extrema informalidade com que Jair Bolsonaro recebeu o conselheiro de Segurança Nacional americano, John Bolton, na manhã desta quinta-feira nos fundos de sua casa, na Barra da Tijuca foi aprovada pelo cerimonialista Roberto Cohen, que descreveu o encontro como “despojado” e de “um carioca típico”:— Ele fez a recepção em sua própria casa, e não, por exemplo, no Itamaraty, para demonstrar que recebia também como amigo — disse Roberto. — A ausência de suntuosidade demonstra que a conversa era o principal. O foco não era a comida, mas a conversa. Bolsonaro_Café_29-11Roberto diz que “aprova totalmente” a recepção. Ele observa que a ausência de pratos faz da refeição um exemplo de “finger food” — uma tendência, afirma, quando se quer informalidade e agilidade em um encontro:— Quando você organiza uma refeição, precisa adaptar o modelo para o “timing” do evento. A “finger food” é ideal quando se quer agilidade — ele diz. — O mesmo em relação à ausência de toalhas: muitos restaurantes e casamentos as dispensam hoje em dia. Apoio totalmente a recepção. Jair Bolsonaro recebe conselheiro de Segurança Nacional dos EUAContinência sem respostaAlém do menu informal, a recepção teve outro ponto polêmico: assim que o assessor do governo Trump saiu do carro, às 6h55, foi saudado não por um aperto de mão, como seria convencional, mas por uma continência prestada por Bolsonaro. Própria ao meio militar, a saudação, de origem incerta, costuma ser descrita como sinal de “respeito e apreço” em manuais e decretos do Exército. O gesto é regulamentado por um decreto de 1997, que determina que militares da ativa devem prestá-lo para seus superiores, que, a depender da própria vontade, podem ou não corresponder com gesto idêntico. Bolton não correspondeu, rapidamente oferecendo a mão para um aperto entusiasmado.Falando em português traduzido por um intérprete, Bolsonaro apresentou outros convidados, incluindo o futuro chanceler Ernesto Araújo; o senador eleito e seu filho, Flávio Bolsonaro; o futuro ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva; e o indicado para o Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno.Às 8h, Bolton e sua comitiva saíram do condomínio de Bolsonaro. O encontro durou uma hora. Embora rápida e discreta, a visita de Bolton provocou certo tumulto adicional na vida dos vizinhos de Bolsonaro. Moradores precisaram atravessar o reforçado esquema de segurança para levar os filhos à escola, começar um dia de trabalho ou dar um passeio na praia.
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